Veja em 2 diagramas o boom do sistema bancário global

Imagens de uma palestra do presidente do Banco Central da Inglaterra mostram o aumento vertiginoso da complexidade e densidade do sistema bancário global

São Paulo – Se a crise financeira de 2008 provou alguma coisa, foi que o capitalismo global atingiu um nível de complexidade inédito.

Este foi o tema de uma palestra nesta semana de Andrew Haldane, economista-chefe do Bank of England, o Banco Central da Inglaterra.

“Sistemas econômicos e financeiros globais consistem de um ninho de sub-sistemas, cada um deles uma própria rede complexa. Entender estes sub-sistemas complexos e suas interações é crucial para um efetivo monitoramento e gestão de riscos sistêmicos”, disse ele.

Para ilustrar a ideia, ele apresentou dois diagramas com o aumento vertiginoso da complexidade e da densidade do sistema bancário entre 1990 e 2007. Eles mostram os empréstimos através das fronteiras (versões maiores aqui e aqui) :

(Andrew Haldane/Bank of England)

(Andrew Haldane/Bank of England)

É possível notar uma explosão da presença asiática, antes representada apenas por Japão, e o aparecimento de mercados emergentes, como o próprio Brasil.

“Assim como em redes bancárias domésticas, existe um padrão claro de centro-periferia, com um pequeno número de setores bancários nodais ‘super-espalhadores’ que servem como credores internacionais para os bancos da periferia”, diz Haldane.

Ele diz que a crise financeira global mostrou que uma rede assim está muito suscetível a um enfraquecimento ou falha do setor bancário central. Na medida em que um deles fica sob pressão, o efeito se espalha globalmente.

Os fluxos de empréstimo entre bancos através de fronteiras caíram cerca de 20% entre o segundo trimestre de 2008 e o mesmo período em 2010.

No ano passado, Haldane entrou na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da TIME. Ele chamou a atenção por seus elogios ao Occupy Wall Street, sua abordagem inovadora da regulação financeira e iniciativas em direção a maior transparência no processo de tomada de decisão do Banco da Inglaterra.