Uso da capacidade instalada da indústria cai a 81,0%

A UCI é considerada um indicador de potenciais pressões inflacionárias na economia brasileira

Brasília – A utilização da capacidade instalada (UCI) na indústria brasileira caiu para 81,0 por cento em abril, contra 81,5 por cento em março, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, conforme dados dessazonalizados.

Em abril do ano passado, a UCI -considerada um indicador de potenciais pressões inflacionárias- estava em 82,4 por cento. A queda do indicador no mês passado é a terceira retração consecutiva, indicando que o setor operava com níveis de estoques acima do desejado.

O gerente da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, associou o aumento dos estoques à maior disputa no mercado interno diante dos produtos importados. “É um quadro que mostra dificuldade do setor em adequar os estoques. Isso está ocorrendo porque a concorrência com os importados reduziu a demanda por produtos da indústria nacional”, avaliou.

Segundo ele, ainda não há sinais de que os industriais conseguiram desovar essas mercadorias em maio.

Os demais indicadores industriais apresentados nesta terça-feira evidenciam que as fábricas iniciaram o segundo trimestre com desempenho fraco. Em abril frente a março, as horas trabalhadas e o número de empregados recuaram 0,6 por cento nos dados dessazonalizados, enquanto o faturamento real teve ligeiro acréscimo de 0,2 por cento.

Na comparação com abril de 2011, a CNI informou ainda que o faturamento subiu 2,7 por cento, a massa salarial real teve acréscimo de 8,3 por cento e o rendimento médio, alta de 8,7 por cento. Ainda em relação a igual mês do ano passado, as horas trabalhadas na produção ficaram 1,9 por cento menores e o emprego recuou 0,4 por cento.

No acumulado dos quatro primeiros meses, o setor industrial registra elevação de 2,2 por cento no faturamento e de 0,2 por cento no emprego. No período, as horas trabalhadas tiveram retração de 1,1 por cento.

Ao salientar que o setor fabril enfrenta dificuldades para voltar a crescer de forma firme, Fonseca comentou que as medidas adotadas pelo governo estão tendo impacto limitado. “As medidas para o consumo dão sinal de terem chegado à exaustão”, disse. “Grande parte das pessoas está endividada e os bancos se retraíram. Isso significa que as medidas direcionadas ao consumo não terão o mesmo impacto que tiveram em 2009 e 2010”, complementou.

O economista comentou que o cenário atual impõe ao governo a necessidade de ações que restaurem a confiança do empresário industrial. “Medidas de estímulo ao investimento podem reativar o setor.”


Recuperação lenta

O setor industrial tem sofrido com as turbulências internacionais e amargado uma lenta recuperação e, assim, afetado o desempenho da economia brasileira como um todo.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,2 por cento no trimestre passado, comparado com o período anterior. A produção industrial também recuou 0,2 por cento em abril, a segunda queda mensal seguida.

O governo tem buscado atacar as dificuldades da atividade econômica através de incentivos, como redução de tributos para o consumo e facilitação de acesso ao crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além disso, o Banco Central também tem reduzido a Selic -para incentivar o consumo ao baratear o crédito-, trazendo-a para o menor patamar histórico, de 8,50 por cento ao ano. E já deixou a porta aberta para mais reduções na taxa básica de juros.

Com essa fragilidade da economia, setores da equipe econômica já admitem um crescimento próximo da expansão do PIB do ano passado, que ficou em 2,7 por cento.