Um BNDES enxuto

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem comando novo a partir de hoje. A economista Maria Silvia Marques toma posse como presidente 0 e os trabalhos não serão poucos: ela terá a missão de rever o papel do banco.

Com ativos que passam dos 930 bilhões de reais, o BNDES cresceu seis vezes desde 2002, quando o banco passou a ser controlado pelo Partido dos Trabalhadores. Durante esse governo, os desembolsos do banco passaram de 38 bilhões para 190 bilhões de reais entre 2002 e 2013 — quando atingiu seu pico.

Segundo especialistas, Maria Silvia, que já foi presidente da siderúrgica CSN entre 1996 e 2002 e trabalhou no BNDES entre 1991 e 1992, deverá enxugar o banco. “O momento macroeconômico exige um corte e Maria tem capacidade para escolher bem os empréstimos”, diz um executivo.

A devolução antecipada de 100 bilhões de reais do BNDES ao Tesouro, proposta pelo governo Temer, reduz diretamente o tamanho do banco e traz um indicativo de que ele não terá mais o peso que teve nos governos petistas. “É fundamental que incorporemos outros agentes financeiros e que bancos privados entrem nesse processo com financiamentos de longo prazo”, disse Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), numa entrevista coletiva.

Maria Silvia deverá trazer para a administração o professor da PUC-Rio Vinicius Carrasco, para ocupar o cargo de diretor de planejamento, e Ricardo Baldin, que até abril era diretor de auditoria interna do Itaú, para a diretoria de controladoria e risco. Ambos são críticos dos empréstimos concedidos pelo banco nos últimos anos — como para frigoríficos e para a companhia de óleo e gás OGX. Daqui pra frente, pequenas e médias empresas devem ganhar prioridade. A ambição do BNDES não estará, necessariamente, no tamanho dos cheques.