UE e Canadá assinam tratado de livre-comércio

Reunidos em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, anunciaram o acordo

Bruxelas – A União Europeia e o Canadá assinaram um tratado de livre-comércio que aumentará as trocas comerciais entre as duas partes, mas gera preocupação em alguns meios agropecuários.

Reunidos em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, anunciaram o acordo, que deve aumentar em mais de 20% o comércio entre ambas as partes.

O anúncio da conclusão das negociações sobre um acordo econômico e comercial global é uma “nova etapa nas relações entre a UE e o Canadá”, informou Barroso, em coletiva de imprensa em Bruxelas.

Uma vez que tenha entrado em vigor, o acordo permitirá aumentar em 23% as trocas comerciais entre as duas áreas. Para a UE isso se traduzirá em 12 bilhões de euros adicionais por ano no Produto Interno Bruto, segundo cifras antecipadas por Bruxelas. Para o Canadá, 8 bilhões de euros a mais.

Os detalhes do acordo, que não entrará em vigor antes de 2015, não foram revelados. Em linhas gerais, inclui o acesso a bens e serviços, a transparência e a proteção de investimentos, a cooperação nas normas e a abertura dos mercados públicos.

Este acordo abre ao Canadá um mercado de 500 milhões de pessoas na UE, maior inclusive que o do Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), assinado com os Estados Unidos e o México.


O volume das trocas comerciais entre a UE e Canadá foi em 2012 de 61,7 bilhões de euros. Os 28 países integrantes do bloco europeu representam o segundo maior sócio comercial de Ottawa, atrás dos Estados Unidos.

Antes de fechar o acordo, europeus e canadenses negociaram durante quatro anos.

Os assuntos mais controversos nessas negociações foram os medicamentos genéricos, os serviços financeiros, os laticínios e a abertura do mercado europeu à carne canadense.

O Canadá aceitou finalmente duplicar a quota de queijo europeu sem direitos alfandegários, em troca de um maior acesso ao mercado europeu para os produtores canadenses de carne. Esta concessão permitiu que as negociações avançassem, mas gerou críticas de ambos os lados do Atlântico.

A associação de produtores lácteos do Canadá disse temer que seus produtos sejam substituídos pelos queijos subsidiados da UE, com risco para o setor local.

Na Europa, o setor da carne bovina teme a chegada maciça de carnes produzidas segundo normas sanitárias e ambientais menos exigentes.

“Estamos muito irritados com este acordo em um período em que a Europa chora a perda de empregos todas as manhãs, em particular nos setores da pecuária” afirmou a Federação Bovina da França.

Este acordo é preocupante, segundo o setor pecuário, já que a UE iniciou, na primavera (do hemisfério norte), negociações com os Estados Unidos – importante produtor de carne bovina, de OGM – para um acordo similar, o que daria passagem à maior área de livre comércio do mundo.