UE alerta que guerra comercial com EUA seria “um desastre”

"A UE está pronta para defender seus interesses, mas o protecionismo não foi, não é, e nem será nossa atitude", diz representante Federica Mogherini

Bruxelas – A alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, a italiana Federica Mogherini, avisou nesta quinta-feira que uma guerra comercial com os Estados Unidos “seria um desastre real para os dois e para o mundo”, em referência às medidas anunciadas pelo bloco caso os americanos aumentem suas tarifas sobre as importações de aço.

“A União Europeia está pronta para defender seus interesses, mas o protecionismo não foi, não é, e nem será nossa atitude”, afirmou a alta representante durante sua participação no Fórum em Bruxelas do Greman Marshall Fund, uma instituição americana não partidária dedicada a promover a cooperação e o entendimento entre América do Norte e Europa.

Ao ser perguntada pelas relações com os Estados Unidos, Mogherini afirmou que estas “são boas, mas poderiam ser melhores ou piores”, e avisou que isso ficará mais evidente nas “próximas horas”, em referência à decisão que o governo americano vai tomar hoje sobre as tarifas em sua reunião, prevista para as 20h30 GMT (17h30 em Brasília).

“Nem os Estados Unidos, nem a União Europeia precisam de uma guerra comercial”, garantiu a alta representante, que defendeu a necessidade de cooperação “como ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos demonstraram que investir em uma Europa forte foi seu investimento mais inteligente”.

Apesar dessa situação, Mogherini destacou que a UE “compartilha uma agenda com os Estados Unidos em 90%”, e tem com esse país “a aliança mais natural que jamais encontrará do outro lado do Oceano Atlântico”.

“Demonstramos com nossos acordos com Canadá, Japão e outros sócios que a UE aposta claramente no comércio livre e justo”, assegurou a chefe da diplomacia europeia.

Nesse sentido, Mogherini acrescentou que qualquer mudança na relação comercial entre UE e EUA “afetaria os dois em igual medida”, o que qualificou como “uma aposta de ganhar-ganhar ou perder-perder”.

Ao ser questionada pela decisão do governo americano que mais lhe surpreendeu ao longo do último ano, a alta representante brincou ao dizer que “já se acostumou com as surpresas”. No entanto, Mogherini afirmou mais tarde que o mais surpreendente “foi a decisão de transferir a embaixada em Israel para Jerusalém”.

Por último, a alta representante fez questão de lembrar que a UE “não é somente o principal parceiro comercial dos Estados Unidos, mas também da maioria de seus estados”.