Reformas de Trump podem ir por água abaixo com taxação do aço

ÀS SETE - O presidente dos EUA visita a fábrica da Boeing para comprovar que sua reforma tributária foi positiva - mas suas novas decisões podem prejudicar

O presidente Donald Trump visita nesta quarta-feira a fabricante de aviões Boeing, em St. Louis, no Missouri. Trump quer usar o evento para mostrar como mais uma grande companhia americana está se aproveitando de sua Reforma Tributária: em janeiro a Boeing afirmou que iria usar 300 milhões de dólares para investir em aumento de salários, desenvolvimento da força de trabalho e melhora na infraestrutura das fábricas, criando o “local de trabalho do futuro” para seus empregados.

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O presidente da empresa, Dennis Muilenberg, inclusive disse em uma conferência com analistas que iria contratar mais trabalhadores diante das reduções tarifárias.

O anúncio seria o fim do programa de redução de postos de trabalho da empresa, que cortou 20% de sua força de trabalho, cerca de 34.000 empregos, desde 2012, numa tentativa de cortar custos e aumentar os lucros.

Mas a lua de mel acaba aí. Muilenberg se recusou a comentar o aumento das tarifas sobre aço e alumínio importados aos Estados Unidos, impostos por Donald Trump na semana passada. Apesar disso, em entrevista à agência Reuters, ele reiterou apoio ao livre mercado.

“Nossa posição é de que queremos trocas abertas e livres, comércio global sólido é bom para o nosso negócio e nós seremos fortes proponentes disso”, disse o executivo.

A Boeing afirmou que o aumento das taxas sobre as commodities devem impactar pouco os custos de produção da empresa. A indústria que mais depende de aço e alumínio é a de infraestrutura e construção, seguida por equipamentos mecânicos e montadoras de automóveis.

Apesar de ser o maior importador de aço e alumínio do mundo, estes são 1,6% das importações americanas. Mas a Boeing é a maior exportadora dos Estados Unidos, com grande volume para a China (fabricante de mais da metade do aço mundial). Uma guerra de preços no mercado internacional certamente prejudicaria a companhia.

A doutrina econômica do America First começa a encontrar suas contradições. Já as empresas serão empresas: quando o governo corta impostos é bom, quando impõe tarifas, melhor não comentar.