Trump impõe tarifas sobre US$200 bi em produtos chineses

O recolhimento das tarifas sobre a aguardada lista vai começar no dia 24 de setembro; presidente americano ameaça taxar outros US$267 bi

O presidente americano, Donald Trump, desafiou todas as advertências e pisou no acelerador na confrontação comercial com Pequim, na segunda-feira (17), ao divulgar novas tarifas sobre as importações da China, por 200 bilhões de dólares.

As novas tarifas entrarão em vigor em 24 de setembro, disse Trump em um comunicado.

A China reagiu e, nesta terça-feira, anunciou “represálias”, informa um comunicado do Ministério do Comércio.

“Para proteger seus direitos e interesses legítimos, assim como a ordem mundial do livre-comércio, a China se verá obrigada a tomar medidas de represália de maneira recíproca”, indicou.

Pequim já havia indicado que planejava sobretaxar 60 bilhões de dólares em produtos americanos. E Trump intimou os dirigentes chineses a não reagirem.

“Se a China tomar medidas de represália contra nossos agricultores, ou contra outras indústrias, vamos seguir imediatamente com a fase três, com tarifas em aproximadamente 267 bilhões de dólares de importações adicionais”, advertiu.

Caso se chegue a esta fase, todas as importações procedentes da China estarão sujeitas a medidas protecionistas dos Estados Unidos.

“Smartwatches” liberados

O governo Trump, que concluiu no início de setembro as consultas públicas, decidiu excluir alguns produtos de consumo em massa da tarifa de 10%, como os “smartwatches”, produtos têxteis e agrícolas, cadeira infantil para automóvel, ou capacetes para ciclistas – relataram autoridades americanas em teleconferência.

Trump alega que a China se negou a mudar práticas comerciais injustas que prejudicam as empresas americanas e seus trabalhadores.

“Durante meses, pedimos à China que mude essas práticas injustas e que dê um tratamento justo e recíproco às empresas americanas”, disse Trump em um comunicado.

Segundo o presidente, as novas tarifas farão “entrar muito dinheiro no caixa dos Estados Unidos”.

Trump considera que as tarifas – não apenas sobre produtos chineses – colocam os “Estados Unidos em uma posição de negociação muito forte, com milhões de dólares e trabalho fluindo para o nosso país. E, ainda assim, o aumento de custos foi quase imperceptível”.

O conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, garantiu, porém, que os Estados Unidos estão abertos ao diálogo “a todo o momento”.

As autoridades americanas disseram que o objetivo não é limitar o crescimento econômico chinês.

Donald Trump exige de Pequim que reduza em 200 bilhões de dólares o déficit comercial com os Estados Unidos, abrindo ainda mais seu mercado aos produtos americanos.

Impor tarifas de 10% em um primeiro momento – no lugar dos 25% que Trump havia pedido que sua administração estudasse – pode ser percebido como um gesto de abertura relativo, depois que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, fez contato com seus homólogos chineses para retomar as negociações.

 

Os mercados não reagiram, e a Bolsa de Xangai, que perdeu muito terreno os últimos meses, ganhou 1,82% no fechamento de terça-feira.

Além das tarifas ao aço e ao alumínio – 25% e 10%, respectivamente, impostos em nome da defesa da segurança nacional -, Washington impôs no verão (hemisfério norte) tarifas de 25% por 50 bilhões de dólares de produtos chineses para compensar um “roubo” de propriedade intelectual.

O governo Trump lamenta que, em troca de um acesso ao mercado chinês, as empresas americanas se vejam obrigadas a compartilhar com seus sócios locais uma parte de seus conhecimentos tecnológicos.

Para mudar essa prática, Donald Trump já havia ameaçado impor tarifas sobre o total dos mais de 500 bilhões de dólares de importações chinesas.

“Esperamos que essa situação comercial se resolva, em última análise, por mim mesmo e pelo presidente Xi (Jinping), por quem tenho um profundo respeito e afeição”, declarou Trump.

Esse conflito parece, até o momento, ter pouco efeito na primeira economia mundial, embora as medidas de represália sejam sentidas em algumas regiões e setores de atividade.

O Tesouro americano advertiu em várias ocasiões que a maior ameaça para o crescimento econômico americano era uma guerra comercial.