Tombini ri por último e comemora “triunfo” sobre analistas

Depois de um ano cheio de surpresas na política monetária, inflação terminou 2011 dentro da meta, evitando que o presidente do BC tenha que dar explicações ao governo

São Paulo – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, começa o ano aliviado. Depois de um ano agitado nas decisões de política monetária, a inflação oficial fechou 2011 em 6,5%, no limite da faixa superior da meta do governo, que é de 4,5%.

Tombini comenta, em nota publicada pelo BC, que este é o oitavo ano seguido que o governo consegue ficar dentro do limite de tolerância da meta de inflação (a nota não menciona, entretanto, que o índice foi o maior dos últimos sete anos). Não era o que pensavam os analistas em suas projeções para 2011, principalmente depois de agosto, quando a autoridade monetária mudou o curso de sua política, afrouxando o nó dos juros.

Em janeiro do ano passado, temendo o descontrole inflacionário, o banco começou um ciclo de alta nos juros que durou até julho. Em sete reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa Selic pulou de 10,75% para 12,50%.

No oitavo mês do ano, porém, sob a justificativa da piora no cenário econômico internacional, o BC passou a cortar os juros, provocando duras críticas por parte do mercado. Os analistas questionaram a leitura que o banco estava fazendo da crise, duvidando que a depressão internacional pudesse ser forte o bastante para segurar a inflação com os juros em queda.

A Selic fechou o ano em 11% e a inflação, dentro da meta, embora no limite. Tombini provou que estava certo e evitou ter que se explicar publicamente a Guido Mantega. Segundo o decreto federal que criou o sistema de metas em 1999, sempre que a inflação escapar dos limites superior e inferior da meta, o presidente do Banco Central tem que prestar contas ao ministro da Fazenda por meio de carta aberta.


Será que aguenta?

A nota do BC diz que, em 2012, o índice de preços ao consumidor “seguirá recuando e se deslocando na direção da trajetória de metas, dinâmica esta consistente com a estratégia de política monetária adotada pelo Banco Central”.

Em outras palavras, a autoridade monetária enxerga um cenário de queda na inflação, e promete seguir cortando a taxa Selic. Bônus: novamente sob o pretexto da crise mundial, o governo anunciou no fim do ano um pacote de incentivos que volta a estimular o consumo para aquecer a economia em 2012.

Com um pacote semelhante em 2011 – o governo também mantinha medidas de estímulo no começo do ano passado – a inflação por pouco não escapou do controle. O cenário internacional ainda não mostra uma tendência clara, seja de recuperação ou de mergulho na crise, “ajudando” o BC a seguir com os cortes nos juros sem maiores riscos.

Especialistas lembram que o governo, embora tenha se agarrado à ambiciosa meta de levar a Selic a níveis ineditamente baixos, ainda não se deu conta de que precisa mostrar um pouco mais de responsabilidade fiscal e cortar gastos para concluir a manobra sem causar estragos.

Por ora, o mercado espera uma inflação de 5,33% no fim de 2012, conforme anunciado no último boletim Focus. Embora acima do centro da meta, o número já mostra evolução se comparado ao que aconteceu no ano passado. Tombini riu por último em 2011, e começa 2012 rindo primeiro. Resta saber se o governo – e o resto do mundo – vão ajudar.