Tombini prevê redução da inadimplência no 2o semestre

Segundo ele, a economia já está crescendo neste segundo trimestre a um ritmo maior do que os 0,2 por cento dos primeiros três meses do ano

Brasília – O Banco Central prevê redução da inadimplência no país “ao longo do segundo semestre”, como resultado de melhor qualidade do crédito no Brasil, queda da taxa de juros e do crescimento mais acelerado da economia, afirmou nesta terça-feira o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini.

Segundo ele, a economia já está crescendo neste segundo trimestre a um ritmo maior do que os 0,2 por cento dos primeiros três meses do ano.

“A inadimplência vai se reduzir ao longo do segundo semestre. Há uma distensão das condições monetárias que ajuda a reduzir o nível de inadimplência”, disse Tombini durante audiência pública na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização no Congresso Nacional.

A inadimplência no Brasil estava em 5,8 por cento em abril, último dado do BC, muito próximo ao recorde de agosto de 2009.

Tombini voltou a dizer que a economia brasileira acelerará também no segundo semestre. “A economia vai ganhar força e no (segundo) semestre vai crescer mais. Nesse trimestre já está crescendo mais que o primeiro”, disse o presidente do BC.

Para ele, a inflação continua convergindo para o centro da meta oficial, de 4,5 por cento ao ano pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


O presidente do BC diz esperar que o indicador de maio -que será divulgado na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)- será inferior ao de abril, quando subiu 0,64 por cento.

“Inflação de serviços inicia processo de recuo”, disse o presidente do BC.

Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana dos analistas consultados, o IPCA terá alta de 0,42 por cento em maio.

Sobre o cenário internacional, o presidente do BC disse que continua com viés desinflacionário e com perspectivas de baixo crescimento mundial.

“A economia global cresce menos e está sujeita a eventos extremos”, afirmou Tombini, acrescentando que o Brasil tem instrumentos para combater a crise.

Tombini disse ainda que a expansão do crédito no país prosseguirá ao longo dos próximos trimestres, em contexto de menores taxas de juros e spread bancário -diferença entre o custo de captação do banco e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final.

Ele disse ainda que o governo está atento para o fomento dos investimentos público e privado. A presidente Dilma Rousseff reuniu-se com os principais ministros do governo na segunda-feira para discutir como destravar esses desembolsos.

“A presidente Dilma (…) tem trabalhado para reforçar o investimento público e induzir o investimento privado no país para induzir o crescimento brasileiro nos próximos meses e trimestres”, afirmou.

O presidente do BC citou como exemplos esforços do governo já feitos para dar fôlego a investimentos em portos, concessões de aeroportos e os estudos para mudança nos tributos PIS e Cofins.

Cruzeiro do Sul – Alexandre Tombini buscou também minimizar a intervenção no Banco Cruzeiro do Sul afirmando que o segmento de pequenas e médias instituições financeiras tem índice de capitalização satisfatório e apresenta solidez.

“O segmento de bancos pequenos e médios apresenta solidez”, afirmou Tombini, acrescentando que o setor registrou no primeiro trimestre lucro de 1,6 bilhão de reais, ou 11 por cento do total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

De acordo com Tombini, são 128 bancos classificados como pequenos e médios que estão sob monitoramento do BC. Esse segmento representa 17 por cento dos ativos totais do SFN; 13,4 por cento da carteira de crédito; e 15 por cento dos depósitos do sistema.

“Acompanhamos quando tem problema e agimos dentro da regulação para responder efetivamente quando os problemas aparecem”, afirmou o presidente do BC, sustentando que o Cruzeiro do Sul representa 0,22 por cento dos ativos e 0,35 por cento dos depósitos do sistema.

Tombini afirmou ainda que a intervenção no banco Cruzeiro do Sul, feita na véspera, não afasta uma “solução de mercado” para a instituição. Adiantou, no entanto, que ainda não chegou nenhuma proposta para avaliação da autoridade monetária.