Presidente do BC minimiza revisão para baixo do PIB de 2014

"A revisão do crescimento tem sido mais uma norma do que exceção nas principais economias do G20", diz, citando Zona do Euro, Japão e México

Brasília – Depois de ser questionado por senadores sobre a piora nas expectativas de crescimento da economia brasileira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, argumentou que a revisão de perspectiva de PIB tem ocorrido em vários países.

“A revisão tem sido generalizada. Não é fato isolado, não é algo que diz respeito somente ao Brasil”, disse.

“A revisão do crescimento tem sido mais uma norma do que exceção nas principais economias do G20. Se olharmos desde o início do ano, houve dramática revisão de várias perspectivas de crescimento de economias avançadas e emergentes”, disse.

“Algum fator comum deve haver para explicar a direção das revisões que vimos”, completou.

Tombini citou que a Zona do Euro vem de uma contração da economia em 2013 e esboça crescimento para este ano. “Estamos em processo sujeito a variações e vemos a Europa recorrendo a medidas não convencionais que ainda não havia recorrido, mesmo durante os piores dias de 2011”, disse.

O presidente do BC ainda citou a economia do Japão, que está em período de “expansão de políticas para fazer frente aos desafios econômicos”. Ele citou também o México, que fez reformas na economia.

Medidas

O presidente do BC explicou que as mudanças em medidas macroprudenciais adotadas pela instituição há duas semanas são condizentes com um cenário econômico diferente do verificado em 2010, quando as medidas anteriores nesse sentido foram tomadas.

“Nos últimos anos observamos uma moderação no ritmo de crescimento do crédito, com o aumento do interesse na aquisição de casa própria e a diminuição crédito para consumo. Moderou-se também a expansão do crédito para as empresas”, completou.

Por isso, argumentou, o BC optou por aperfeiçoar a regulação macroprudencial para adequar a liquidez no crédito.

“A política macroprudencial é conduzida com o objetivo de aumentar a estabilidade financeira. Em 2010 foi usada para moderar excessos. Mas com a moderação indesejada no crédito em alguns segmentos, é justificado que medidas macroprudenciais apontem agora na direção contrária”, alegou.

Já a política monetária, contrapôs Tombini, deve ser conduzia com objetivo de garantir estabilidade de preços e atua em diversos canais, como o crédito, de forma gradual e cumulativa.

“Não há contradição entre ações de políticas monetária e macroprudencial, pois elas têm objetivos distintos”, concluiu.