BC sinaliza a possibilidade de Selic de um dígito

Alexandre Tombini, deu sinais de que o ciclo de relaxamento monetário deve continuar. Ele diz acreditar que a taxa neutra de juro no Brasil deve continuar a cair

Cidade do México – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu sinais, hoje, de que o ciclo de relaxamento monetário deve continuar. “O BC sinalizou recentemente que há probabilidade de que tenhamos no futuro uma taxa de política monetária (Selic) de um dígito; essa estratégia não se alterou até o dia de hoje”, afirmou. Tombini disse ainda que compartilha da visão do mercado, consultado na pesquisa semanal Focus, feita pelo BC com instituições financeiras, de que a taxa neutra de juro no Brasil deve continuar a cair. “Esse processo não se esgotou”, disse o presidente do BC.

Segundo apontou a pesquisa, a taxa de juros neutra no Brasil caiu pelo menos 1 ponto porcentual em relação ao levantamento feito há pouco mais de um ano. “O importante não são os números, mas a tendência, que demonstra contínua melhora dos fundamentos da economia brasileira”, disse Tombini, que está na Cidade do México participando de reuniões do G-20 juntamente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

De acordo com Tombini, a economia brasileira tem mostrado cada vez mais a capacidade de reagir a choques externos, além de um continuo processo de redução de vulnerabilidade externa e na consolidação fiscal. “Há uma série de fatores de natureza estrutural que vêm evoluindo positivamente na economia brasileira”, disse.

Tombini declarou que a tendência vista pelo mercado de queda da taxa neutra nos próximos dois anos é “compatível e consistente com nossa estratégia desde agosto, de redução da taxa de política monetária por um lado, e também consistente ao tempo em que a inflação continua no processo de convergência à meta de inflação”. Ele ressaltou, porém, que a pesquisa tem pouco impacto na estratégia de política monetária de curto prazo. “Mas sem duvida é uma informação relevante”. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente para decidir sobre a taxa Selic nos dias 6 e 7 de março.