Só escala trará grandes da cadeia de petróleo, diz BNDES

Crise econômica e diminuição do ritmo de investimentos da Petrobras assustou a indústria de fornecedores do setor

Rio de Janeiro – Fábricas de tubos flexíveis para interligar poços produtores a plataformas de petróleo não vão faltar no Brasil.

Já a fabricação de motores, turbinas e demais componentes com alto grau de tecnologia vai ficar para um futuro mais distante, avaliou o chefe do Departamento da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Cunha.

“Vai levar algum tempo, precisa ter escala maior para justificar a vinda para cá, a gente não vai conseguir trazer inicialmente tudo de uma vez”, disse Cunha à Reuters.

A crise financeira e a retração dos investimentos da Petrobras por dois anos seguidos –2010 e 2011– assustou a indústria de fornecedores, segundo Cunha, o que adiou mais um pouco as decisões de investimentos.

“A crise afastou (investimentos), sem dúvida, até mesmo o ritmo de crescimento da Petrobras deu uma reduzida, isso assustou um pouco as empresas”, explicou Cunha à Reuters, percebendo no momento uma retomada de interesse.

“No ano passado os investimentos foram um pouco retardados por algumas empresas, contratos que teriam que acontecer ficaram para esse ano, algumas ficaram muito endividadas, sem faturar, e tendo que pagar máquinas e equipamentos”, explicou.

Cunha avalia que o crescimento da cadeia de fornecedores do setor será mais intenso depois que o país pular do atual patamar de produção em torno dos 2 milhões de barris por dia para 6 milhões de bpd, o que está previsto para ocorrer em 2020, segundo o plano estratégico da Petrobras.

“Eles precisam acreditar mais na demanda, enxergar um pouco mais qual é a demada, acreditar que a Petrobras vai investir mesmo, e quando vai investir”, avaliou.

Outro componente importante é ter acesso a linhas de financiamento para poder aumentar a capacidade ou se instalar no país, destacou Cunha. Para isso o banco lançou no início de agosto uma linha voltada para o segmento, no valor de 4 bihões de reais até 2015, com juros mais baixos.

“Inicialmente temos 4 bilhões (de reais) para atender o setor, mas esses 4 bilhões podem se esgotar antes de 2015…vai começar de forma mais lenta e vamos acompanhar o que está entrando, não terá um problema de orçamento”, informou.


Só em 2012

Na fila da linha do banco muitas promessas de entrega de cartas-consultas ainda este ano, o primeiro passo para obter um empréstimo. Mas desembolsos do banco para fomentar os investimentos no entanto, só em 2012.

“Tem muita empresa que estava conversando e agora estão preparando cartas-consulta…duas empresas já estão no banco, uma já está mais avançada e outra em fase de enquandramento, algo em torno dos 200 milhões de reais”, informou sem poder revelar o nome dos clientes.

Outras empresas de maior porte também já entraram em contato com o banco, mas só devem oficializar o pedido de financiamento no ano que vem, informou.

“A gente sabe que vai acontecer, mas as pequenas (empresas) precisam ter mais noção de quando vai acontecer, porque se atrasar um pouquinho pode quebrar a empresa, deixar elas muito vulneráveis”, alertou.

Na quinta-feira da próxima semana o banco organiza seminário para divulgar a nova linha, que contará com palestra do diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella. O ousado plano de investimentos de 224,7 bilhões de dólares da Petrobras até 2015 é o melhor estímulo para os fornecedores, destacou Cunha.

Ele informou que a estatal já está exigindo agora que as empresas cumpram conteúdo local que só deveriam apresentar a partir de 2015, quando entram em produção os campos adquiridos na 7a rodada de licitações de áreas de petróleo e gás natural realizadas pela ANP.

Antes da 7a rodada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis não exigia a certificação do conteúdo nacional, apesar de pesar significativamente nas ofertas para compra de blocos nos leilões.

Problemas para avaliar o teor de fabricação local dessa época estão levando inclusive a multas às petroleiras que atuam no país, numa fila puxada pela Petrobras, que tem 20 dias para pagar 28 milhões de reais à ANP, sem desconto como a empresa estava reivindicando, informou a autarquia nesta sexta-feira.

A linha do BNDES é mais uma tentativa de estimular o crescimento da cadeia produtiva, que em 2003 ganhou o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), sem nunca obter resultados expressivos.