Setor externo tem menor déficit em 9 anos, de US$ 23,5 bi

A estimativa do BC era de que o rombo externo de 2016 atingisse US$ 22,0 bilhões

Brasília – O Brasil encerrou 2016 com um déficit em conta corrente de US$ 23,507 bilhões, informou nesta terça-feira, 24, o Banco Central. Este é o melhor resultado anual desde 2007, quando a conta corrente do País ficou positiva em US$ 408 milhões.

O resultado do ano passado ficou pior que a mediana negativa de US$ 22,300 bilhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 22 instituições, que esperavam déficit, de US$ 19,0 bilhões a US$ 22,6 bilhões.

A estimativa do BC era de que o rombo externo de 2016 atingisse US$ 22,0 bilhões. Para 2017, a instituição projeta déficit de US$ 28,0 bilhões.

O déficit de transações correntes em 2016 representa 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 45,037 bilhões em 2016, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 30,449 bilhões.

A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 41,055 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 16,197 bilhões.

Dezembro

Em dezembro, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 5,881 bilhões. Este déficit representa o pior resultado para o mês desde dezembro de 2014, quando somou US$ 11,654 bilhões. O BC projetava para dezembro um déficit em conta de US$ 4,2 bilhões.

O resultado do mês passado ficou pior que a mediana negativa de US$ 4,500 bilhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 26 instituições, que ia de déficitde US$ 900 milhões a US$ 4,8 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 4,203 bilhões em dezembro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,382 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 6,979 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 5,748 bilhões.

Remessa de lucros

A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 3,891 bilhões em dezembro, informou o Banco Central. A saída líquida representa um volume levemente menor que os US$ 3,965 bilhões que foram enviados em igual mês do ano anterior, já descontados os ingressos.

No acumulado de 2016, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 19,408 bilhões. O resultado enviado é inferior ao registrado em igual período do ano anterior, quando as remessas foram de US$ 20,793 bilhões. A expectativa do BC era de que a remessa de lucros e dividendos de 2016 somasse US$ 19,5 bilhões.

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 3,116 bilhões em dezembro, ante US$ 2,524 bilhões em igual mês de 2015. No acumulado de 2016, essas despesas alcançaram US$ 21,937 bilhões, valor semelhante aos US$ 21,913 bilhões de igual período do ano passado. Para 2016, o BC projetava pagamento de juros externo no valor de US$ 21,0 bilhões.

Viagens internacionais

Segundo o BC, a conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em dezembro. No mês passado, quando o dólar recuou cerca de 4% ante o real, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 941 milhões. Em igual mês de 2015, o déficit nessa conta era de US$ 653 milhões.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,392 bilhão em dezembro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 484 bilhões no mês passado.

No acumulado de 2016, o saldo líquido dessa conta ficou negativo em US$ 8,473 bilhões. Em 2015, esse valor havia sido de US$ 11,513 bilhões. O BC estimava um déficit de US$ 8,5 bilhões para esta rubrica em 2016.