Seca afetará tamanho da laranja em 14/15

Segundo representantes do setor, tempo seco deverá afetar a produtividade de São Paulo

São Paulo – O tempo seco e quente deverá resultar em frutos menores do que o normal na próxima safra de laranja de São Paulo, afetando a produtividade do Estado que responde por quase toda a produção nacional destinada à indústria do suco, segundo representantes do setor.

A produção de laranja em São Paulo na temporada 2014/15 poderia crescer até 20 por cento, disse o presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, após uma florada bem-sucedida no final do ano passado.

No entanto, o potencial de crescimento da safra, diante da adversidade climática, agora ficaria um pouco abaixo de 15 por cento, segundo o produtor, para quem é difícil fazer estimativas exatas no momento.

A safra anterior de São Paulo, onde estão as indústrias líderes nas exportações globais de suco de laranja, foi estimada em dezembro pelo Ministério da Agricultura em 268,6 milhões de caixas de 40,8 kg.

“O clima está afetando principalmente o crescimento da fruta… Se a fruta não cresce, eles vão precisar de mais fruta para formar uma caixa, a safra vai perder em produtividade”, disse Viegas.

De acordo com o citricultor, por ora, não há risco de o fruto em desenvolvimento cair pela seca severa. “Ela já está do tamanho de uma bola de pingue-pongue, neste momento não sofre, mas é um momento de crescimento, a falta de água vai impedir que ela atinja o tamanho esperado.” Outro efeito do calor intenso é a formação de “placas” na casca da laranja, o que deprecia a fruta, disse Viegas.

A questão climática, acrescentou ele, veio para se somar a preços baixos da fruta, “que impedem o produtor de fazer os tratos culturais necessários, principalmente a adubação”.


A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) avalia também que ainda é cedo para realizar qualquer estimativa sobre eventuais reduções na safra em função da seca.

“Até o final do ano passado, o pessoal achava que seria uma safra maior, até pela bianualidade (que intercala safras maiores e menores). Agora tem a seca. Se confirmar a restrição hídrica, a primeira coisa é o fruto ficar menor”, disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

Segundo ele, o efeito da questão climática na safra dependerá também da fase em que está o fruto.

As primeiras colheitas de laranja para a indústria ocorrem a partir de maio, sendo intensificadas a partir de outubro.

No caso das laranjas que já estão mais desenvolvidas, a seca é até benéfica, disse o executivo, deixando o fruto com menos água e com mais sólidos solúveis, o que aumenta o rendimento na indústria.

“Para a indústria é bom (a seca), precisa de menos caixas de laranja para fazer a mesma tonelada de suco”, afirmou Netto.

Estoques Menores

De acordo com o presidente da Associtrus, uma queda na safra de laranja deverá colaborar para uma redução ainda maior nos estoques de suco de laranja do Brasil, que já iriam cair pela metade em 2013/14, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).


O órgão do governo dos EUA estimou em janeiro os estoques finais de suco em 93 mil toneladas, contra 205 mil toneladas na temporada passada.

“Se houver uma quebra (ante a projeção inicial) de 6 pontos percentuais na produção, vai ter redução de 50 mil toneladas no estoque”, afirmou Viegas.

Os preços do suco de laranja congelado e concentrado oscilaram praticamente dentro de um mesmo intervalo nas últimas semanas em Nova York e operavam em baixa nesta terça-feira, a cerca de 1,40 dólar por libra-peso.

A associação da indústria preferiu não falar de números de safra ou de estoques.

A CitrusBR, no entanto, tem uma metodologia diferente da do USDA para estimar estoques, calculando o produto brasileiro armazenado não só no Brasil, mas também em outros países.

Após uma safra menor em 2013/14, os estoques finais devem somar cerca de 450 mil toneladas em junho, após uma máxima recorde na temporada anterior (2012/13) de 766 mil toneladas.

De qualquer forma, o volume estimado para 30 de junho está mais próximo do estoque técnico mínimo de 350 mil toneladas, suficiente para 12 semanas de consumo, disse a CitrusBR anteriormente.