Safras vê EUA na liderança global de soja em 2013/14

Colheita deverá ficar entre 92 milhões e 94 milhões de toneladas, com os norte-americanos retomando a sua hegemonia na cultura

São Paulo – A safra de soja do Brasil na nova temporada (2013/14) continuará crescendo, mas não o suficiente para superar os Estados Unidos como os maiores produtores globais da oleaginosa, avalia a consultoria Safras & Mercados, que promoverá em julho um tour pelos EUA com integrantes do agronegócio brasileiro em busca de conhecimentos sobre a liderança agrícola norte-americana.

A próxima safra de soja do Brasil poderá atingir entre 85 milhões e 87 milhões de toneladas, com um crescimento de área plantada, disse em entrevista o diretor da Safras, Paulo Molinari.

Já a colheita dos EUA de soja em 13/14 deverá ficar entre 92 milhões e 94 milhões de toneladas, com os norte-americanos retomando a sua hegemonia na cultura, após a quebra de produção pela seca na temporada 2012/13.

Em 12/13, segundo dados do governo dos EUA (USDA), a produção norte-americana somou cerca de 82 milhões de toneladas, enquanto a brasileira está estimada em 83,5 milhões de toneladas. Para 13/14, o USDA prevê mais de 92 milhões de toneladas para os EUA. [ID:nL2N0DR47F] O USDA também prevê um aumento da safra brasileira 13/14, para 85 milhões de toneladas. Outras consultorias privadas do Brasil, como a Agroconsult, também preveem crescimento do plantio de soja do Brasil. [ID:nL2N0DO18J] O Brasil planta sua safra a partir de meados de setembro. Já o plantio 13/14 dos EUA está em desenvolvimento.

Segundo Molinari, na realidade os EUA nunca perderam a liderança em soja, uma vez que a safra 12/13 norte-americana foi duramente afetada pela pior seca em mais de meio século.

Ele destacou que a liderança agrícola dos EUA vai muito além da eficiência “dentro da porteira”, passando por uma agroindústria forte e condições logísticas adequadas para o escoamento da produção.

O objetivo do chamado Agrotour, o terceiro promovido pela consultoria, é levar agricultores, empresários e consultores para conhecer de perto o agronegócio dos EUA.

“A ideia é entender que o agronegócio é política, jogo de tarifas… É observar o contexto global do agronegócio, para que os participantes do mercado tenham uma visão mais estratégica do agronegócio”, afirmou Molinari.

Segundo ele, “essa situação do caos logístico brasileiro poderia ser amenizada se o agronegócio tivesse visto o que acontece nos outros países, se empresários tivessem trazido experiências dos EUA para melhorar a infraestrutura local”.

“As pessoas deveriam saber (sobre o que se passa nos EUA), mas não sabem, tanto é que o pessoal chega lá e descobre coisas que poderiam estar fazendo aqui no Brasil”, afirmou.

A missão privada brasileira desembarcará em Washington e será recebida na Embaixada brasileira, onde visitará também o USDA. Além da capital dos Estados Unidos, os participantes passarão por Chicago, onde está a bolsa que é referência global de preços agrícolas, e por Saint Louis e Des Moines, onde a visita inclui uma usina de etanol, um confinamento de gado e uma área de produção de grãos.