Ricos e BRICS perdem bilhões com desastres — por despreparo

Prejuízos acumulados na última década somam US$ 1,5 trilhão, segundo levantamento da OCDE, que alerta para urgência dos países tornarem-se mais resilientes

São Paulo – Os países ricos e emergentes acumulam nada menos do que US$ 1,5 trilhão em perdas econômicas e danos provocados por desastres naturais na última década, segundo um novo relatório da OCDE.

Sem uma ação imediata, estes custos podem subir ainda mais devido às mudanças climáticas.

Para reduzir as perdas no futuro, diz o estudo, os países precisam investir em resiliência e aumentar sua capacidade de resistir a choques e estresses.

O relatório destaca que o aumento das concentrações de pessoas e de bens em áreas de risco e o estreitamento dos laços econômicos entre os países fazem os efeitos das catástrofes se espalharem mais rapidamente pelo mundo.

“Maior eficiência na gestão de risco para melhorar nossa capacidade de resistência a choques é a única maneira de reduzir o impacto nas sociedades e economias”, disse Rolf Alter, diretor de Governança Pública da OCDE, durante o lançamento do relatório, nesta segunda.

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Entre os pontos fracos dos governos, o relatório destaca a incapacidade de proteger a infraestrutura das cidades, o fracasso das reformas e regulamentação de novos padrões de risco e as deficiências na infraestrutura de serviços essenciais, como energia e saneamento.

O estudo também ressalta que o fracasso de um país em gerir adequadamente um risco significativo pode ter um sério impacto sobre outros países.

“Além da trágica perda de vidas, o terremoto seguido de tsunami e de um desastre nuclear no Japão, em 2011, contribuiu para uma contração econômica de 0,7% naquele ano por causa da interrupção das cadeias de suprimentos industriais”, diz um trecho.

Vulnerabilidade no Brasil

Estudo recente do IBGE mostra que quase metade (48%) dos municípios brasileiros não possuem instrumentos de prevenção e gestão de riscos de fenômenos como enchentes e delizamentos de terra.

Ocupação irregular de encostas, margens de rios e desmatamentos, por exemplo, elevam o grau de vulnerabilidade das cidades e sua população.