Restrição ao crédito imobiliário deve aumentar distratos

A avaliação é da diretora da agência de classificação de riscos Fitch, Fernanda Rezende

São Paulo – As restrições de crédito no mercado imobiliário dificultam as perspectivas para o setor em 2015. As incorporadoras já enfrentavam um cenário de estoques e distratos elevados, que pode ser acentuado pelo aumento nos custos dos empréstimos e pela redução da oferta de crédito.

A avaliação é da diretora da agência de classificação de riscos Fitch, Fernanda Rezende. “As preocupações com as retiradas da poupança são grandes e há dúvidas sobre até que ponto os bancos vão conseguir manter o ritmo do crédito imobiliário”, afirmou, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Nos últimos meses, os saques da poupança, principal fonte de recursos para crédito imobiliário, têm superado os depósitos, levando bancos públicos e privados a limitarem o crédito imobiliário.

Entre as medidas recentes para alimentar a oferta de empréstimos, o conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) aumentou o orçamento do programa pró-cotista, que usa recursos do fundo para compra de imóveis.

Para Fernanda Rezende, a medida foi positiva, mas o volume ainda é pequeno na comparação com o crédito total do setor.

Para a diretora da Fitch, a restrição geral de crédito para os compradores de imóveis pode elevar pressão de distratos e gerar o acúmulo de estoques.

No ano passado, as 12 incorporadoras acompanhadas pela Fitch somaram um volume distratado de R$ 6,8 bilhões, ou 30% das entregas.

Caso essa proporção se mantenha em 2015, os cancelamentos devem ficar entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões, sobre um total de R$ 21 bilhões de entregadas programadas.

“É um número elevado. O cenário macroeconômico pressiona os distratos, pois a qualidade de crédito do comprador pode ter sofrido alterações desde o início do processo de compra”, afirmou Rezende.

“Além disso, a postura mais conservadora dos bancos pode dificultar a aprovação de crédito para o repasse”, explicou.

Segundo a diretora, o aumento dos cancelamentos gera um acúmulo de unidades prontas em estoque, que elevam os custos de manutenção para as incorporadoras. A espiral negativa é alimentada, em seguida, pela economia fraca e pela demanda menor.

Considerando a velocidade de vendas em 2014 e o total de estoque no final do ano, as companhias acompanhadas pela agência levariam 20 meses para liquidar as unidades paradas.

Para efeito de comparação, a diretora ressaltou que em 2010, quando o ambiente era mais favorável, essa relação chegou a 10 meses. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.