Rapidez da expansão de crédito é uma bolha, diz Mendonça de Barros

Brasil passou de país sem crédito para uma nação com crédito em um nível comparado ao dos Estados Unidos, mas agora o ritmo deve mudar, de acordo com o economista

São Paulo – Para Luis Carlos Mendonça de Barros, sócio da gestora Quest e ex-ministro das comunicações, a rapidez com que se deu o processo do aumento da oferta de crédito ao consumo no Brasil é um processo insustentável de ser mantido – e difícil de ser replicado agora.

“É uma bolha, vendo a rapidez com que o nível de crédito mudou”, afirmou o economista durante o ‘Cenário do Mercado de Crédito em 2012’, realizado pela revista EXAME, em São Paulo. “É importante entender o que vivemos agora, porque o governo não entende, toma medidas tentando replicar uma curva de crescimento muito rápida do crédito ao consumo”, disse. 

Para o economista, o Brasil está começando a perceber que existe uma velocidade máxima de crescimento. “Podemos discutir se é 2,5% ou 3,5%, é um número próximo disso. Mas precisa contar isso para o governo, porque todo ano ele fala 5%”, disse. 

O economista destacou que o Brasil passou de país sem crédito para uma nação com crédito em um nível comparado ao dos Estados Unidos. “Mas temos crescimento de renda total da sociedade compatível com uma capacidade de aumentar talvez 3% ou 4% ao ano o crédito”, disse. 

Mendonça de Barros também destacou a mudança nas participações dos setores público e privado no crédito. “A parcela do setor publico que ocupava o mercado de crédito 15 anos atrás caiu pela metade e foi ocupada pelo crédito no setor privado. Essa mudança muda o metabolismo, você tem mais crédito privado, que é como o colesterol bom da economia”, disse. 

Segundo o economista, o Brasil amadureceu para uma economia de mercado com nota sete, o que mudou o metabolismo do país. “Quando o metabolismo de uma economia se aproxima do atual do Brasil é um sinal de riqueza, mas é uma fonte nova de problemas”, afirmou Mendonça de Barros.