Queda do PIB evidencia desigualdades na zona do euro

Entre os países mais endividados do sul da Europa, se destaca a Itália

Bruxelas/Paris – A economia da zona do euro encolheu no fim de 2011 e flertará com uma leve recessão em meio à crise de dívida soberana, mas a força da França e a resistência da Alemanha podem manter o bloco longe do desastre.

O fardo vem do altamente endividado sul europeu, com destaque para a Itália.

A atividade econômica das 17 nações da região caiu 0,3 por cento no quarto trimestre em relação ao terceiro, informou a agência de estatísticas Eurostat nesta quarta-feira, em linha com o esperado por economistas em uma pesquisa da Reuters.

A queda foi a primeira contração desde o segundo trimestre de 2009, no auge da crise financeira global, quando a produção diminuiu 0,2 por cento, de acordo com a agência.

Mostrando o efeito nocivo da crise de dívida aos negócios e à economia, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,7 por cento no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, um forte contraste com a expansão de 2,4 por cento vista no começo de 2011, quando a Europa se recuperava com força da crise de 2008 e 2009.

Apesar de sinais de estabilização em janeiro, com os mercados mais calmos e o crescimento mais forte dos Estados Unidos, analistas em uma pesquisa da Reuters preveem que a economia da zona do euro encolherá 0,4 por cento em 2012, voltando ao crescimento em 2013.

Norte evita recessão

Mesmo uma leve recessão mascara a diferença entre as nações mais ricas do norte da Europa e aquelas mais pobres e menos produtivas do sul, que viveram além de seus recursos no passado e agora enfrentam anos de austeridade para reduzir a dívida pública e reformar suas economias.

A economia da Alemanha, a maior da zona do euro, encolheu ligeiramente no quarto trimestre, mas ainda teve um desempenho melhor que o previsto, assim como a França, que conseguiu um crescimento anêmico.

O PIB alemão caiu 0,2 por cento, contra crescimento de 0,6 por cento no período entre julho e setembro. A França foi melhor, com uma expansão surpreendente induzida pelo investimento das empresas e o gasto do consumidor.


Assim, a economia francesa contrariou expectativas de uma contração de 0,1 por cento para crescer 0,2 por cento no quarto trimestre, e economistas dizem que o país pode evitar a recessão -definida como dois trimestres seguidos de crescimento negativo.

Sem alívio no sul

Porém, mais ao sul, houve pouco consolo para as economias que estão sendo pressionadas pela Comissão Europeia para realizar reformas ou correr o risco de enfrentar sanções.

A economia da Itália encolheu 0,7 por cento na comparação entre trimestres e se juntou a Bélgica, Grécia e Portugal na recessão, pois também já havia se contraído no terceiro trimestre.

A produção econômica da Grécia desabou 7 por cento em termos anuais, e a de Portugal encolheu 1,3 por cento.