Queda do PIB da Eurozona dispara temor de recessão

Região teve queda de 0,3% no último trimestre de 2011, aumentando o medo que uma recessão atinja o continente

Bruxelas – A Eurozona registrou um retrocesso de seu Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2011, o primeiro em dois anos, reavivando os temores de que entre em recessão em 2012.

O PIB da Eurozona caiu 0,3% no último trimestre de 2011, segundo estimativas da Eurostat, que informou que bloco formado pelos 17 países registrou um crescimento de 1,5% em todo o ano passado.

O retrocesso do PIB no último trimestre, o primeiro registrado desde o segundo trimestre de 2009 na Eurozona, sugere que a união monetária começará 2012 em recessão, o que tecnicamente é definido por dois trimestres consecutivos de contração.

Contudo, os números são melhores do que o esperado pelos analistas. Os economistas da Dow Jones Newswires previam uma retração de 0,4% do PIB no quarto trimestre e um crescimento de apenas 0,7% para todo o ano de 2011.

Alguns especialistas acreditam que o bloco conseguirá escapar da recessão.

“Estes dados nos fazem pensar que há uma grande possibilidade de que a Eurozona não se contraia no primeiro trimestre de 2012 e escape de uma recessão técnica”, disse Martin Van Vliet, economista do banco ING.

De qualquer forma, “precisamos ser prudentes, sobretudo em relação às perspectivas de crescimento dos países mais sólidos da Eurozona”, ressaltou.

Mais pessimista, seu colega Howard Archer, da IHS Global Insight, estimou que o retorno ao crescimento não chegará ao segundo trimestre de 2012.


O analista destacou que é preciso levar em conta que o PIB da Eurozona foi melhor do que previsto no final de 2011 devido aos melhores resultados da França (+0,2%) e de uma retração menor do que a esperada na Alemanha (-0,2%).

Mas não se pode esquecer que as “boas notícias” não incluem dados como as importações em queda na França e a queda do consumo das famílias na Alemanha, considerou Jennifer Mc Keown da Capital Economics.

No restante da união monetária o panorama é sombrio: em Portugal, por exemplo, a recessão se agravou em meio às duras medidas de austeridade, que fizeram com que o ano terminasse com uma queda de 1,3% do PIB.

Itália e Holanda entraram em recessão no final de 2011, segundo informações dos institutos nacionais de estatísticas desses países.

Esses “dados do PIB mostram que os países do centro da Europa se saem melhor na crise da dívida do que os países periféricos”, explicou Van Vliet.

“Isto é lógico, levando em conta os planos de austeridade exigidos aos países do sul europeu”, acrescentou.