Professora avalia que BC sinaliza Selic a 6,5% este ano

Monica Baumgarten de Bolle afirmou que a redução da previsão para o PIB deste ano, de 3,5% para 2,5%, sinaliza que o BC pode cortar mais a taxa básica de juros

São Paulo – A professora da PUC-RJ e diretora da Casa das Garças Monica Baumgarten de Bolle afirmou que a redução da previsão do Banco Central para o PIB deste ano, de 3,5% para 2,5%, sinaliza que o BC pode cortar a Selic para 6,5% até dezembro. “O relatório trimestral de inflação de junho indica que o BC vai continuar a cortar os juros no atual ritmo de 0,50 ponto porcentual nas próximas reuniões. Como vão ocorrer quatro encontros do Copom de julho até dezembro, é viável que a Selic será reduzida em mais 200 pontos-base no total, o que levaria a taxa para 6,5% ao final do ano”, previu.

Segundo a acadêmica, a fraqueza da recuperação do nível de atividade no Brasil causa grande apreensão ao Poder Executivo, o que acabou sendo admitido tecnicamente pelo BC, cujas projeções sobre o PIB são mais conservadoras que as do Ministério da Fazenda. “O governo está muito preocupado em ativar a economia no começo do segundo semestre, pois está convicto que precisa dar fortes estímulos ao nível de atividade no curtíssimo prazo, como fez com o PAC Equipamentos. Do contrário, estaria entregando os pontos em relação ao crescimento deste ano”, destacou.

“Nesse contexto, os incentivos fiscais e monetários vão ser usados pelo Poder Executivo para animar o PIB, que corre o risco de subir entre 2% e 2,5% neste ano, especialmente se não melhorarem as expectativas dos empresários para retomar investimentos”, disse Monica.

Ela pondera que é possível que o País avance 2,5% neste ano, pois o consumo pode pegar tração no terceiro trimestre, especialmente com a renegociação de dívidas de clientes que adquiriram bens no crediário, o que pode dar um novo fôlego às compras do varejo. “E isso pode ocorrer porque o pico da inadimplência para a pessoa física deve ser registrado em julho e sua gradual redução no decorrer do ano pode melhorar as condições de concessão de crédito pelos bancos às famílias”, disse.