Indústria inicia 4º tri com melhor resultado em sete anos para outubro

Expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de alta de 0,7 por cento na variação mensal

São Paulo — O quarto trimestre começou com alta da produção industrial em outubro sobre o mês anterior, no terceiro mês seguido de ganhos e no melhor resultado para o mês em sete anos.

A produção industrial do Brasil cresceu 0,8% em outubro na comparação com setembro, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado, mais forte para o mês desde a alta de 1,5% em 2012, indica que a indústria mostra sinais de retomada neste fim de ano, embalada principalmente pela demanda doméstica.

Em relação a outubro do ano passado, a produção apresentou avanço de 1,0%.

As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de altas de 0,7% na variação mensal e de 1,4% na base anual, segundo a mediana das projeções.

“A indústria está diferente, está virando a chave e num patamar e numa trajetória novos. Essa mudança se deve à demanda doméstica, já que a externa continua limitada”, explicou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo, destacando que desde o fim de 2017 a indústria não registrava três taxas positivas.

“Essa melhora tem a ver com mais gente no mercado de trabalho, aumento da massa salarial, juros e inflação baixos e crédito mais acessível”, completou.

No mês, a categoria de Bens de Consumo foi o destaque com crescimento da produção de 1,0% frente a setembro. A fabricação de Bens Intermediários também avançou, 0,3%.

Somente Bens de Capital, uma medida de investimento, apresentou recuo em outubro, de 0,3%.

“O lado negativo da pesquisa foi Bens de Capital. O clima de incerteza que ainda está no ar segura um pouco e contamina os empresários”, disse Macedo.

No terceiro trimestre, a indústria cresceu 0,8%, mostrando ligeira aceleração sobre a taxa de 0,7% no segundo trimestre, de acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE na véspera.

O desempenho ajudou a consolidar a perspectiva de recuperação gradual da economia, que expandiu 0,6% entre julho e setembro sobre os três meses anteriores.

(Edição Paula Arend Laier)