Prévia do PIB de janeiro traz últimos suspiros da economia sem coronavírus

Indicador deve apresentar expansão fraca e não capta ainda a crise de saúde pública

Tudo é uma questão de perspectiva. Há um mês, as impressões sobre a atividade econômica no começo do ano indicavam uma recuperação decepcionante. Nesta quinta-feira, 26, porém, num cenário totalmente diferente, o IBC-Br de janeiro — uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB) divulgada pelo Banco Central — tem tudo para ser um dos melhores dados que serão divulgados nos próximos meses.

Os elementos usados na previsão do índice tiveram uma leve melhora no cenário de dezembro para janeiro. O setor de serviços, que contribui para cerca de 70% do PIB, apresentou expansão de 0,6% na comparação, encerrando uma sequência de quedas iniciadas em novembro do ano passado.

“O dado deve ser analisado como uma medida da situação da economia pré-coronavírus, já que ainda não incorpora os efeitos nefastos que as medidas de contenção social trazem para o setor”, escreveu a Guide Investimentos em relatório enviado a clientes.

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Com base em dados preliminares que indicam desempenho positivo do setor de indústria no período, a corretora espera que o IBC-Br mostre crescimento de 0,3% em janeiro. O Banco MUFG Brasil tem a mesma previsão.

“A sinalização no começo de ano já não foi muito boa. Em fevereiro, os dados também não foram muito favoráveis. Se juntar com março, que foi um desastre, vamos ter um primeiro trimestre bastante fraco, bem menor do que foi o quarto trimestre do ano passado”, diz Sérgio Vale, editor-chefe da MB Associados. A economia desacelerou nos três últimos meses do ano passado e cresceu 0,5% de outubro a dezembro.

A previsão de economistas do governo e do setor privado é que os impactos da crise do coronavírus na economia se concentrem em abril, no segundo trimestre portanto, quando poderá haver uma queda de 10% no PIB. A previsão foi feita ontem por Henrique Meirelles, secretário da Fazenda de São Paulo, na estreia da série exame.talks.

O ex-ministro da Fazenda acredita que uma recuperação na atividade deve ser notada a partir de julho, levando a uma contração na economia na ordem de 3% em 2020 — se tivermos sorte.