Pressões, emendas, exonerações: o corre-corre pela Previdência

Líderes do governo e presidente da Câmara garantem ter 330 votos por aprovação do projeto em dois turnos antes do recesso parlamentar, no fim de semana

A julgar pelas estimativas do governo e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a aprovação da reforma da Previdência é questão de horas. As estimativas dão conta de que o governo já tem 330 votos necessários para aprovação do texto encaminhado na semana passada para o plenário da Câmara, prevendo uma economia de cerca de 940 bilhões de reais nos próximos 10 anos.

Maia tentará levar o projeto a votação em primeiro turno já no fim da tarde desta terça-feira. A pressa é para conseguir aprovar a Previdência em dois turnos antes do recesso parlamentar, que começa no fim de semana. Entre os discursos otimistas e a prática as coisas são mais complicadas.

O presidente da Câmara se reunirá com líderes partidários na manhã desta terça-feira, num encontro inicialmente previsto para ontem. A ideia é definir uma estratégia para evitar que uma série de destaques cheguem a ser votados em plenário, o que atrasaria a tramitação do projeto.

O principal deles é o que inclui estados e municípios na reforma. Maia quer deixar esta discussão para o Senado, após o recesso parlamentar. O problema: alterações feitas pelos senadores, que já se queixaram de ser apenas “carimbadores” de projetos, fariam o texto voltar para a Câmara. A oposição já anunciou que vai apresentar destaques, entre eles para a inclusão de regras especiais para policiais e professores.

Em entrevista à GloboNews, Delegado Waldir, o líder do PSL na Câmara, afirmou que desistiu de pressionar por alterações por policiais. Ainda assim, seu partido, o mesmo do presidente, trabalha com o cenário de aprovação da Previdência apenas no sábado, segundo a revista VEJA.

Dois ministros já foram exonerados de seus cargos para engrossar a votação entre os deputados: Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Casa Civil, e Marcelo Álvaro (PSL-MG), do Turismo. Osmar Terra (MDB-RS), da Cidadania, e Tereza Cristina (DEM-RS), da Agricultura, também podem deixar seus cargos temporariamente.

Segundo cálculo da ONG Contas Abertas divulgado pelo jornal O Globo, o governo liberou 2,5 bilhões de reais em emendas a parlamentares favoráveis à reforma nos cinco primeiros dias de julho, mais que em todo o primeiro semestre. Se no discurso está contando com uma margem folgada de aprovação, na prática, o governo prefere não pagar para ver.