Presidenciável dos EUA quer taxar fortunas para bancar creches

Os americanos gastam com o cuidado dos filhos quase o mesmo valor que gastam com aluguel e Elizabeth Warren tem um plano para resolver o problema

A senadora Elizabeth Warren, que disputará a vaga do Partido Democrata pela presidência dos EUA, propõe um plano para colocar todas as crianças em creches e limitar o gasto das famílias a 7 por cento da renda, independentemente do número de filhos. O plano seria bancado por um imposto sobre grandes fortunas.

O projeto da parlamentar de Massachusetts, revelado pelo Medium.com, torna os serviços de creche gratuitos para famílias com renda inferior a 200 por cento do nível de pobreza — ou menos de US$ 51.500 por ano para uma família de quatro pessoas. Outras famílias pagarão até 7 por cento da renda, dependendo do quanto ganham.

A proposta entra imediatamente na corrida presidencial de 2020, já lotada de democratas de perfil progressista que discutem como diminuir a desigualdade e expandir a rede de proteção econômica para a classe trabalhadora.

Os americanos gastam com o cuidado dos filhos quase o mesmo valor que gastam com aluguel. O custo médio mensal por criança se aproxima de US$ 1.400, segundo uma análise da HotPads baseada em índices de preços estaduais e metropolitanos levantados pela Care.com.

A visão de populismo econômico de Warren e seus ferozes ataques a corporações e aos milionários americanos — que ela acusa de influenciar o sistema em interesse próprio — formam os argumentos centrais da campanha da senadora, que atrai pesadas críticas do presidente Donald Trump.

O plano de Warren custaria aos contribuintes US$ 70 bilhões por ano, segundo levantamento dos economistas Mark Zandi e Sophia Koropeckyj, da Moody’s Analytics. O custo seria coberto por parte da arrecadação com um imposto anual sobre fortunas que Warren propõe para quem tem mais de US$ 50 milhões em ativos, de acordo com a fonte.

A proposta “aumentaria substancialmente o número de crianças aptas a receber cuidado formal” de 6,8 milhões (ou um terço da população com menos de 5 anos) para 12 milhões (60 por cento das crianças nessa faixa etária), segundo os economistas da Moody’s. O gasto de quem tem filhos pequenos com cuidado formal diminuiria aproximadamente 17 por cento.

O sistema seria montado como programa federal, aproveitando recursos existentes, como o Head Start, e administrado por governos locais e organizações sem fins lucrativos.