Preços globais de alimentos caem 1,6% em 2013, diz FAO

Conforme a entidade, a queda do indicador em 2013 só não foi maior por causa da alta das cotações dos produtos lácteos

São Paulo – Os preços globais dos alimentos caíram 1,6% em 2013 devido à desvalorização dos grãos, do açúcar e do óleo de palma, informou nesta quinta-feira a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em reportagem publicada no jornal The Wall Street Journal.

O índice da FAO – que mede a variação mensal das cotações de uma cesta de commodities alimentícias – ficou em 206,7 pontos em dezembro, quase inalterado frente ao mês de novembro, mas 8,8% abaixo da máxima histórica verificada em 2011.

Conforme a entidade, a queda do indicador em 2013 só não foi maior por causa da alta das cotações dos produtos lácteos em virtude de uma estiagem na Nova Zelândia e da forte demanda da Ásia.

“A demanda por leite em pó, especialmente da China, continua forte e as processadoras do Hemisfério Sul estão focando nesse produto em vez de manteiga e queijo”, explicou.

A organização acrescentou que a aquecida procura por carnes da China e do Japão também compensou parcialmente o declínio dos preços dos grãos, óleos e açúcar.

Se o pico do índice da FAO em 2011 foi motivado pela escassa oferta de cereais, a recente queda dos preços deve-se principalmente à expectativa de recomposição do estoque de milho e trigo neste ano.

A produção mundial de cereais teve forte crescimento em 2013, após a recuperação da safra dos Estados Unidos e da colheita de grandes volumes em países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

A FAO projeta um aumento de 13% nos estoques globais de cereais em 2013, para 564 milhões de toneladas. A atual perspectiva para o mercado de grãos significa uma drástica reviravolta em relação à safra 2012/13, que foi prejudicada por uma severa seca.

O rali dos preços mundiais – desencadeado pela quebra da produção norte-americana – provocou uma onda de protestos em países como Tunísia, Egito e Líbia, que ficou conhecida como primavera árabe. Com informações da Dow Jones Newswires