Político espanhol diz que UE é a doente da economia global

"A Europa hoje é o doente de economia global e a região do mundo que pior enfrentou as consequências das crises financeiras", disse Felipe González

São Paulo – O ex-presidente do governo espanhol, Felipe González, afirmou nesta terça-feira em São Paulo que a União Europeia (UE) é o atual “doente” da economia global e citou os Estados Unidos como exemplo para enfrentar as sequelas da crise financeira de 2008.

“A Europa hoje é o doente de economia global e a região do mundo que pior enfrentou as consequências das crises financeiras”, disse González durante sua participação no seminário “Alternativas para a América Latina em tempo de escolhas”, promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC).

Para González, que esteve à frente do governo espanhol entre 1982 e 1996, a situação do bloco europeu, ainda frágil pela crise e que enfrenta conjunturas políticas difíceis em alguns países, passa por um “problema de nacionalismo não solidário”.

Para González, depois que a crise se aguçou em 2008, “os Estados Unidos a enfrentou muito mais inteligentemente e é um desafio que está ganhando com competitividade”.

“O (país) que não cresce não paga o que deve”, comentou o político do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

González também criticou a Europa por não levar em conta durante a crise as estratégias econômicas da América Latina, uma das regiões que menos sofreu o impacto.

“Sempre fomos muito arrogantes, querendo mostrar aos latino-americanos como sair da crise, mas desta vez não perguntamos aos amigos da América Latina como aprenderam a resolver a crise”, afirmou.

Em sua exposição, González criticou ainda o papel do presidente russo, Vladimir Putin, na crise política ucraniana.

“Estou contra a posição de Putin”, expressou o político espanhol.

No seminário do iFHC, organizado por ocasião dos dez anos da instituição, participaram também seu fundador, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; os ex-presidentes Ricardo Lagos (Chile) e Julio María Sanguinetti (Uruguai) e o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda.