Podemos quer aprovar reformas, mas protegerá mais pobres, diz líder

O deputado José Nelto afirmou que o partido Podemos é contra as mudanças no BPC e se preocupa com a proposta de capitalização

Brasília – O líder do Podemos na Câmara, deputado José Nelto (GO), afirmou nesta quarta-feira, 10, que o partido quer votar as reformas do País e isso inclui a reforma da Previdência. “Iremos proteger os mais pobres, os trabalhadores”, disse o líder ao chegar ao Palácio do Planalto para encontro com o presidente Jair Bolsonaro.

José Nelto destacou, no entanto, que a bancada do Podemos não irá votar as mudanças propostas pelo governo no benefício de assistência social para idosos de baixa renda, o BPC. “BPC a gente não vota, eu falo pela bancada”, afirmou.

Com relação à aposentadoria rural, o líder disse que o partido defende que seja mantida a regra atual.

Ele falou ainda da preocupação com relação à proposta de capitalização. “Capitalização é muito temerária, temos preocupação”, comentou.

O presidente Bolsonaro tem nesta quarta-feira uma agenda de encontros com lideranças de partidos, numa tentativa de reforçar o diálogo do Executivo com o Congresso, em prol da reforma da Previdência.

Professores

A presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), destacou a nova Previdência pode ser um grande incentivo à educação e valorização dos professores. “A reforma da Previdência tem que servir para a população e não para um governo e quando você fala de população, de futuro, isso passa pela educação. Hoje, só 2,7% dos jovens querem ser professores e isso pode impactar muito o futuro da nossa nação”, disse.

Renata contou que pediu ao presidente um estudo de impacto sobre a manutenção ou até melhoria da aposentadoria especial dos professores. Por causa das condições e ambiente de trabalho, considerados prejudiciais à saúde e a integridade física, hoje os professores têm um tempo menor de contribuição, de 25 anos para mulheres e 30 anos para homem. No setor público, a idade mínima para professores se aposentarem também é de cinco anos a menos do que as regras gerais da aposentadoria, sendo de 50 anos para mulheres e 55 para homens. No setor privado, não há idade mínima.

A proposta do governo enviada ao Congresso Nacional prevê idade mínima de 60 anos com tempo de contribuição de 30 anos, sem distinção de gênero. As regras serão válidas para professores dos setores públicos e privados.