Planejamento integrado é chave para mineração sustentável na Amazônia

Falta diálogo entre governos e empresas para desenvolver comunidades no entorno de áreas de exploração mineral. Tema foi discutido no EXAME Fórum Amazônia

Belém — Ao mesmo tempo em que representa cerca de 55% de todo o território brasileiro, a região amazônica gera menos de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. As oportunidades de negócios e de desenvolvimento econômico na região foram tema do EXAME Fórum Amazônia, realizado em Belém (PA), nesta sexta-feira. 

Os contrastes são evidentes quando se olha de perto a realidade dos estados amazônicos, como é o caso do Pará. O estado, que exportou quase 80% de todo o minério do país no último ano, ainda têm indicadores sociais abaixo da média brasileira.

A falta de visão de longo prazo – e de um planejamento estratégico para destinar a arrecadação oriunda da atividade minerária – mantém um fosso entre disponibilidade de recursos e efetivo desenvolvimento social. Mas algumas empresas e ONGs vêm tentando mudar esse cenário.

A mineradora Alcoa, que há quase dez anos opera uma lavra de bauxita da região de Juruti, no Pará, criou um fundo para o assentamento agroextrativista em que atua. O objetivo é garantir recursos de diferentes fontes para investimentos socioambientais, mesmo depois que a empresa deixar o local.

“Precisamos sair da lógica do boom e do colapso, que é o que acontece quando a mineração chega e quando a mineração deixa uma área, para geração de renda no longo prazo”, afirma Fábio Abdala, gerente de sustentabilidade da mineradora Alcoa.

Falta robustez também do lado das Ongs com orçamento e gente suficientes para auxiliar o setor privado a tocar projetos na região. Em toda a Amazônia, são menos de 50 – apenas quatro no estado do Pará. Uma delas é o Instituto Peabiru, que se dedica a projetos de desenvolvimento local sustentável.

Com base nessa premissa, o instituto criou uma plataforma para unir empresas num esforço colaborativo de conservação da biodiversidade e investimento socioambiental com foco em empreendedorismo comunitário e inovação a partir da floresta. “As empresas têm que tocar mais projetos de longo prazo, não só agendas que durem 6 meses ou 1 ano”,  afirma João Meirelles, diretor executivo do Instituto Peabiru

Raul Porto, gerente executivo do Instituto Brasileiro de mineração, pondera que, só em 2017, o setor faturou 13 bilhões de dólares, e mais de 1 bilhão foram pagos à prefeituras e governos por meio de algumas obrigações legais, como royalties e  taxa mineral. “Não dá para exigir que as mineradoras assumam a função do público”.