Pimco deixa Brasil de fora de lista de países reformistas

O motivo? A decisão do governo de adiar uma abrangente reforma do inchado e ineficiente sistema previdenciário do País

Não durou muito. Menos de um ano após elogiar a agenda de medidas econômicas do governo brasileiro, a gestora de recursos Pimco não inseriu o Brasil na lista de países apoiados pelo avanço de reformas.

O motivo? A decisão do governo de adiar uma abrangente reforma do inchado e ineficiente sistema previdenciário do País.

“Não estamos particularmente otimistas com a reforma da previdência no curto prazo”, disse Yacov Arnopolin, gestor de carteiras da Pacific Investment Management Co. em Londres, que cita África do Sul, México e Argentina como lugares onde as reformas estão avançando. “Nossa lista está focada em lugares onde podemos ver um momentum favorável.”

O Brasil desistiu de colocar o projeto de lei de reforma da previdência em votação neste mês após convocar as Forças Armadas para restaurar a ordem no estado do Rio de Janeiro, onde está localizada a cidade atormentada pela violência que é a principal atração turística do País.

Por lei, são vedadas mudanças na Constituição, como as previstas pelo impopular projeto de lei, durante uma intervenção militar.

Para tranquilizar os investidores, o governo criou uma nova agenda de prioridades que inclui propostas econômicas como a independência do banco central e medidas de simplificação fiscal.

Não bastou para a Pimco, que nove meses atrás ressaltava a melhora dos fundamentos do Brasil, a estabilidade do câmbio e o andamento da agenda de reformas.

Arnopolin afirma que a Pimco continua overweight em relação à dívida externa do Brasil, focada em títulos corporativos e nos chamados quase soberanos.

Nos últimos 12 meses, a dívida corporativa brasileira deu retorno de cerca de 7,6 por cento, superior à média dos mercados emergentes, de 4,8 por cento.