PIB do agronegócio cresce 1,9% no 1º semestre, diz Cepea

Cálculos do PIB do agronegócio são mais abrangentes que os feitos pelo IBGE para a agricultura, que inclui apenas a produção "dentro da porteira"

São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu 1,9 por cento no primeiro semestre devido a um aumento da produção combinado a preços mais altos na comparação com o mesmo período do ano passado, disse nesta terça-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, apontando um desempenho bem superior ao da economia brasileira em geral.

Os cálculos do PIB do agronegócio –incluindo produção primária, insumos, logística e agroindústrias– são mais abrangentes que os feitos pelo IBGE para a agricultura, que inclui apenas a produção “dentro da porteira”.

Segundo o Cepea, o agronegócio responde por 22,5 por cento das riquezas produzidas no país.

No geral, a economia brasileira entrou em recessão no primeiro semestre, com retração de 0,6 por cento no segundo trimestre sobre os três meses anteriores, com forte retração nos investimentos e na indústria e a Copa do Mundo prejudicando a atividade econômica.

Nos cálculos do Cepea, a pecuária brasileira se destacou no primeiro semestre, com crescimento de 5,52 por cento, incluindo crescimento de 16,2 por cento na pecuária de corte.

A agricultura expandiu 2,91 por cento –com destaque para uma alta de 10,45 por cento no valor da produção de soja e de 31,7 por cento no algodão.

Já as indústrias do setor avançaram apenas 0,10 por cento no semestre, disse o Cepea.

“Entre as treze indústrias analisadas pelo Cepea, sete fecharam o período em baixa”, disse o centro, em nota, destacando que a perda de participação das agroindústrias dentro do PIB do agronegócio é uma tendência dos últimos dez anos.

A perda de participação da agroindústria indica que o agronegócio não tem conseguido avançar nos segmentos de maior valor agregado, em boa parte devido às dificuldades enfrentadas na exportação de produtos manufaturados, disse o Cepea.

“Nas nossas exportações predominam as matérias-primas e semiprocessados, enquanto os processados e os produtos frescos (frutas, flores, por exemplo) enfrentam barreiras comerciais ou não atendem às exigências de qualidade e sanitárias”, disse o coordenador do Cepea, professor Geraldo Barros.

Os setores de insumos e de distribuição cresceram 1,84 por cento e 1,57 por cento, respectivamente no primeiro semestre.

PERSPECTIVA PARA 2014 O PIB do agronegócio crescerá no máximo 3,8 por cento em 2014, estimou o Cepea, ante um crescimento de 3,92 por cento em 2013, quando o atingiu cerca de 1,1 trilhão de reais.

“Variações climáticas, no entanto, podem levar a ajustes nas estimativas atuais de produção nacional e mundial”, disse o centro de pesquisas.

Já as perspectivas para o crescimento da economia em geral não são tão positivas. A pesquisa Focus do Banco Central divulgada na segunda-feira mostrou que a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2014 caiu pela 16ª semana seguida, a apenas 0,33 por cento.