Pesquisa estima efeitos econômicos “terríveis” da alta do nível do mar

Aumento do nível dos oceanos poderia custar US$ 14 trilhões por ano em todo o mundo, se meta climática não for atingida

São Paulo – A alta do nível do mar é um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas, mas a maioria dos estudos costumam focar nos efeitos diretos desse fenômeno, como o aumento de enchentes, a salinização dos solos e o deslocamento de populações.

Em uma nova pesquisa, cientistas resolveram estimar as consequências econômicas globais do aumento do nível do mar associado à tendência de aquecimento do Planeta, que esquenta e expande a água marinha, além de causar derretimento de calotas polares. Os resultados se revelaram “terríveis”, segundo eles.

Publicado na revista Environmental Research Letters, o estudo liderado pelo Centro Oceanográfico Nacional do Reino Unido (NOC) descobriu que a elevação do nível do mar poderia custar US$ 14 trilhões por ano em todo o mundo, se a meta de manter temperaturas globais abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais até o final do século não for atingida.

Os pesquisadores também descobriram que os países emergentes, como a China e Índia, veriam o maior aumento nos custos de inundação, enquanto os países de renda mais alta sofreriam menos, graças aos altos níveis existentes de infraestrutura de proteção.

Com uma trajetória de aumento de temperatura de 1,5 ° C até 2100, o nível médio do mar subirá até 0,52 metros (m). Mas, se a meta de 2°C for perdida, a elevação mediana do nível do mar pode chegar a 0,86 m e, no pior dos casos, a 1,8 m.

Na ponta do lápis, sem medidas de adaptação, os custos globais de inundações aumentarão para US$ 14 trilhões por ano considerando uma elevação média do nível do mar de 0,86m, e até US$ 27 trilhões por ano para uma lata de 1,8 metros, o que representaria 2,8% do PIB global em 2100.

Essas projeções revelam um futuro sombrio para muitas cidades costeiras e nações insulares no mundo e coloca centenas de milhares de pessoas em situação de risco, uma sentença severa que já ameaça a existência de micronações, como as Maldivas, o país mais baixo e plano da Terra, e Kiribati.