Pessimismo com a China é exagerado, dizem analistas

A manufatura chinesa teve seu pior desempenho em 2 anos, mas o setor de serviços se manteve forte, tanto na comparação trimestral quanto na anual

Pequim – A economia da China se enfraqueceu moderadamente no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, mas ficou longe de ser um fator decisivo para a forte queda recente vista nos mercados financeiros globais, segundo uma pesquisa de empresas que operam no gigante asiático.

Sondagem conduzida pela China Beige Book International com mais de 2.100 companhias mostrou que a manufatura chinesa teve seu pior desempenho em dois anos no período de julho a setembro, mas o setor de serviços se manteve forte, tanto na comparação trimestral quanto na anual.

Na avaliação do grupo, as exportações, embora tenham se enfraquecido, foram uma influência menos significativa na economia da China.

“Na economia chinesa que amadurece, não apenas a manufatura já não é mais o principal termômetro da economia geral, como as exportações não são mais o principal termômetro do setor manufatureiro”, afirmou a entidade em relatório

. “As atuais percepções do mercado sobre a China podem estar mais totalmente dissociadas de fatos concretos do que em qualquer outra época nesses quase cinco anos em que pesquisamos a economia.”

As margens de lucro e o crescimento do emprego nas empresas chinesas ganharam força pelo segundo trimestre consecutivo entre julho e setembro, enquanto o avanço dos salários diminuiu levemente, indicou a pesquisa.

Para o grupo, os investidores globais adotaram uma visão excessivamente negativa da perspectiva da China em meio à forte queda das bolsas locais, a partir de meados de junho, e após a inesperada desvalorização do yuan, anunciada em agosto.

A pesquisa também revelou que a deflação nos preços ao produtor não tem sido uma grande preocupação para a maioria das empresas. Embora os preços das vendas tenham diminuído no terceiro trimestre, os dos insumos recuaram ainda mais, contribuindo para a melhora das margens de lucro.

Ainda de acordo com a entidade, existe um histórico de reação exagerada dos investidores globais aos problemas da China.

“Os que destacam a fragilidade repentina da China estão exagerando os problemas atuais ou ficaram totalmente alheios à desaceleração dos últimos anos”, avaliou o grupo.