PDVSA tenta dar garantias sobre refinaria Abreu e Lima

''Estamos construindo nossas garantias, temos nossa proposta para o pool de bancos que estão aí.", afirmou Rafael Ramírez, ministro de Petróleo e Mineração da Venezuela

Caracas – O ministro de Petróleo e Mineração da Venezuela, Rafael Ramírez, confirmou nesta quinta-feira que a petrolífera estatal PDVSA segue seu trabalho para buscar as garantias para financiar em conjunto com a Petrobras a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

”Estamos construindo nossas garantias, temos nossa proposta para o pool de bancos que estão aí. Acho que devemos estar prontos para quando chegar o prazo, em novembro”, afirmou Ramírez durante um encontro com jornalistas.

Ele ressaltou as declarações da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que assinalou que a companhia brasileira deseja ter a PDVSA como sua sócia. Para Ramírez, que também preside a PDVSA, a declaração de Foster coloca um ”ponto final” neste tema.

”Felizmente, se alguém quiser esclarecer qual era a posição da Petrobras, ela o disse claramente: o único sócio que estão buscando é a PDVSA para este desenvolvimento”, apontou Ramírez, que lamentou que sempre queiram colocá-los para ”brigar” ou ”competir” com a brasileira. ”Não temos nenhum problema com a Petrobras nem com o Brasil”.

Na segunda-feira passada, Foster afirmou que ”a PDVSA resolverá seus problemas” e será sócia da Petrobras no projeto de Pernambuco.

”É possível que nos outros projetos que estamos avaliando consideremos participações de sócios em refinarias, mas não na Abreu e Lima”, acrescentou Foster.


As duas empresas decidiram em 2005 construir uma refinaria no em Pernambuco com capacidade para processar 230 mil barris diários de petróleo, na qual a Petrobras teria 60% e a PDVSA, 40%.

A Petrobras iniciou em 2007 a construção da refinaria Abreu e Lima com recursos próprios à espera que a PDVSA assumisse sua parte da dívida que a estatal brasileira contraiu com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a obra.

O principal problema é que o BNDES não aceita ainda as garantias oferecidas pela venezuelana para conceder-lhe o empréstimo. A Petrobras já deu diversos prazos para que sua sócia apresente as garantias, mas nenhum deles foi cumprido.

Para garantir a entrada da PDVSA na sociedade, é necessário que a estatal venezuelana adquira 40% das ações da Abreu e Lima, se responsabilize pela mesma percentagem da dívida contraída e da parte que lhe corresponde assumir do que foi gasto até agora pela Petrobras nas obras.