Privatização, Previdência e simplificação serão nossos pilares, diz Guedes

O superministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro (PSL), tomou posse nesta quarta-feira (02), em Brasília

São Paulo — O superministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, tomou posse nesta quarta-feira (02) em cerimônia em Brasília.

Em seu discurso, ele enfatizou que o país seguirá a linha do liberalismo econômico, com privatizações, desburocratização, reforma da Previdência e simplificação de impostos — mas sem perder o olhar social.

“Os chicago olds também olharam para a educação e a saúde como caminho da prosperidade”, disse.

Segundo Guedes, o Brasil só poderá voltar “à prosperidade” quando combater o descontrole na expansão de gastos públicos, que para ele, é o mal maior da economia brasileira.

“A dimensão fiscal [alta de gastos públicos] foi sempre o calcanhar de Aquiles de todas nossas tentativas de estabilização. O descontrole da expansão de gastos públicos é o mal maior”, declarou durante o discurso.

De acordo com o ministro, os gastos públicos representavam, quatro décadas atrás, cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), e, desde então, tem subido incessantemente.

“Experimentamos todas as disfunções financeiras em torno desse processo, como moratória e inflação. Agora, estamos respirando a sombra de uma tranquilidade, mas é uma falsa tranquilidade, da estagnação econômica”, declarou.

O futuro chefe da economia reiterou que o diagnóstico para melhorar a economia é controlar as despesas. “E não precisa cortar, tirar, sangrar, nada disso. É só não deixar crescer no ritmo que crescia”, acrescentou.

Guedes salientou, ainda, que ele não é um superministro. Criado por Bolsonaro, o Ministério da Economia unificou os ministérios da Fazenda, do Planejamento e parte do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior.

Combate

Para o novo chefe da economia, o teto de gastos, mecanismo pelo qual as despesas não podem crescer acima da inflação do ano anterior, não tem sustentação sem as reformas estruturais, como da Previdência Social.

“O teto esta aí, mas sem paredes de sustentação cai. Essas paredes são as reformas. Temos de aprofundar as reformas”, disse.

Para ele, a Previdência Social virou uma “gigtantesca engrenagem de transferências perversas”.

“A Previdencia é atualmente uma fábrica de desigualdades. Quem legisla tem as maiores aposentadorias, quem julga tem as maiores aposentadorias. O povo brasileiro, as menores”, afirmou.

Segundo o novo ministro da Economia, é preciso também combater os gastos com administração pública. “Tem que fazer uma reforma administrativa e o pessoal do planejamento já está fazendo isso.” Ele revelou que na área econômica, os cortes devem chegar a 30%.

Além disso, no discurso, Paulo Guedes afirmou que sua equipe tem mergulhado na parte de digitalização dos processos, que é visto como o caminho para “melhorar os negócios”.

Previdência

De acordo com Guedes, o governo vai encaminhar ao Congresso uma proposta de reforma da Constituição para acabar com todas as vinculações e indexações de gastos, caso a reforma da Previdência não seja aprovada.

Em seu discurso na cerimônia de transmissão de cargo, Guedes fez um histórico sobre o problema fiscal brasileiro e disse que se a reforma da Previdência for aprovada nos próximos meses, o Brasil terá 10 anos de crescimento pela frente.

“A hora é agora de enfrentar o problema fiscal”, afirmou Guedes, ressaltando que o primeiro e maior gasto público é com a Previdência.

“Se for bem sucedido (desafio da Previdência), temos 10 anos de crescimento pela frente, se não for, temos sugestões também…você desindexa, desvincula e desobriga todas as despesas e receitas da União”, disse.

Banco Central

“É um extraordinário Central Banker”, falou Paulo Guedes sobre Roberto Campos, que assume o Banco Central. Para ele, é preciso absorver as novas tecnologias, abrir comércio de bens e serviços e investimentos diretos.

“Queremos as concessões de privatizações. Há trilhões de dólares querendo entrar na nossa economia e nós travados, por conta da burocratização, sem aceitar capital de fora”, afirmou.