Para sociólogo francês, mulheres são fundamentais na superação da crise

Para s Alain Touraine, a crise mundial é um reflexo do "triunfo” do capital financeiro sobre os valores sociais

São Paulo – As mulheres ainda não se deram conta da importância que têm para a superação da crise mundial, na opinião do sociólogo francês  Alain Touraine. O professor da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris (Ehess, a sigla em francês) e doutor honoris causa de diversas instituições em todo o mundo fez palestra em encontro promovido pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

Para Touraine, a crise mundial é um reflexo do “triunfo” do capital financeiro sobre os valores sociais. “Não há reformas sociais que possam resistir a esse mundo financeiro globalizado”. Por isso, ele acredita que a superação da turbulência atual será possível por meio de três bandeiras: a defesa dos direitos humanos, da ecologia e do feminismo.

Nesse contexto, o sociólogo destaca que as mulheres “têm que ser os agentes principais da transformação social”. Ele ressalva que elas ainda não se deram conta da importância que têm no processo de estabelecer um sistema mais voltado para as necessidades dos indivíduos. 

Os direitos humanos são, para Touraine, o fortalecimento dos indivíduos em oposição à força do capital. Ele vê esse movimento como pessoas que dizem: “Quero defender o respeito à minha dignidade” e “não aceitam ser humilhados e humilhadas”.

A ecologia é, na avaliação do sociólogo, uma questão de sobrevivência. Caso não haja mudança no modo como a produção é conduzida no planeta, a sobrevivência da espécia humana está ameaçada.

O Brasil também se destaca nesse cenário de “reintegração”social, segundo Touraine. Para ele, o país é um dos poucos latino-americanos com capacidade de construção simbólica. “Os brasileiros estão gerando constantemente uma cultura nova, inclusive para o Brasil”.

Esses símbolos são fundamentais, de acordo com Touraine, para o fortalecimento das sociedades. Ele afirma que os cidadãos latino-americanos estão afastados das decisões políticas em seus países. Nessas nações, o acadêmico diz que o poder está concentrado no Estado e nas grandes instituições, enquanto a sociedade está enfraquecida. 

Na avaliação de Alain Touraine, apenas quando o Brasil e os outros países da região forem capazes de ter “atores” e peso  intelectual e cultural, poderão mudar a situação política atual. “O que falta a todos os países, e especialmente ao Brasil, é a capacidade de ter atores”, ressaltou.