Para analistas, sem reforma, rombo da Previdência explode

Alta de impostos, novo rebaixamento do rating e desvalorização do real são algumas das consequências caso a proposta não seja aprovada

São Paulo, Brasília e Nova York – Diante do rombo de R$ 316,5 bilhões na Previdência da União e dos Estados no ano passado, economistas preveem um cenário ainda mais crítico para a economia caso a reforma previdenciária não passe no Congresso. Alta de impostos, novo rebaixamento do rating e desvalorização do real, afetando a inflação, são algumas das consequências citadas caso a proposta não seja aprovada.

O déficit previdenciário da União e dos Estados cresceu 44% em 2016 em relação ao ano anterior, de acordo com dados compilados pelo Ministério do Planejamento e obtidos pelo Estado.

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Integrada, avalia que o problema é estrutural e que a solução “é justamente a reforma”. “Esse problema só vai se agravar e, caso a reforma não seja feita, as contas da Previdência vão explodir. Então, ou os aposentados vão ficar sem receber, como estamos vendo no Rio, ou o País terá de aumentar impostos, onerando ainda mais a população e dificultando o desenvolvimento da economia.”

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência na Câmara dos Deputados, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), considera “criminosa” a tentativa dos opositores à reforma de dizer que não há déficit nos regimes de aposentadoria no Brasil. Desde o início das discussões, deputados da oposição e até mesmo alguns governistas têm questionado a existência do déficit, acusando o governo de maquiar dados e “fazer terrorismo” para passar uma proposta que prejudica os trabalhadores.

“Estão cometendo uma atitude criminosa dizendo que não tem déficit na Previdência Social”, afirma Maia. A comissão especial que analisa o texto já prevê uma audiência pública apenas para discutir se há ou não déficit.

Os analistas também destacam que as mudanças na aposentadoria são essenciais para permitir que as contas públicas voltem para um patamar mais equilibrado. “Sem Previdência, realmente não tem perspectiva de ajuste, não tem perspectiva de estabilização da relação dívida/PIB”, ressalta o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita. No cenário do banco, apesar do intenso debate no Congresso, a reforma deve ser aprovada até o segundo trimestre e com poucas modificações.

Os benefícios previdenciários e os gastos com pessoal inativo representam mais da metade de todos os gastos primários do governo central, de acordo com relatório recente do Credit Suisse. Diante disso, o economista-chefe do banco, Nilson Teixeira, avalia que os gastos previdenciários aumentarão nos próximos anos, mesmo com a reforma. Assim, para que o governo consiga que o teto de gastos seja efetivo, seriam necessários cortes em outras despesas públicas.

Rating

Duas das principais agências de rating – Moody’s e S&P – observam que o aval do Congresso às mudanças da Previdência seria um condicionante para a retirada da perspectiva negativa da nota do Brasil. “Após a aprovação da reforma, o Brasil terá uma posição mais favorável para rating e perspectiva”, afirma a vice-presidente e analista sênior para o Brasil da Moody1s, Samar Maziad.

Já para diretora de rating soberano da Standard & Poor’s, Lisa Schineller, a reforma é relevante porque vai complementar os objetivos estabelecidos pelo teto de gastos. Ela ressalta que será preciso avaliar se a proposta da reforma da Previdência não será muito alterada por legisladores a ponto de perder sua força. “A aprovação do teto de gastos foi na direção correta, mas foi um passo inicial. A reforma da Previdência é relevante porque vai complementar os objetivos estabelecidos pelo teto de gastos.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

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  1. jeadnkd ffieiqmd

    O cinismo desse povo não tem fim, querem jogar na conta de quem paga a previdência para aposentar, a conta dos benefícios de anos a fio de militares, que recebem aumentos para se aposentar, essa conta pertence ao caixa do governo, a sociedade paga através dos imposto, não é conta da previdência, toda é qualquer vantagem que o governo pratica com setores isolados da sociedade, como aposentadoria rural, aposentadoria integral para militares e professores, tem que ser paga pelo cofre da união, não da previdência que deve ter destinação especifica aos seus contribuintes.

  2. maria cecilia

    Primeiro este governo tem que rever os salário e previdência dos Três Poderes e do funcionalismo público…depois terá moral para mudar a previdência do povo trabalhador privado

  3. Edgard Cabral

    Bem, sou militar, nós tiramos serviço 24 h sem folga de 72 h, pagamos pensão mesmo aposentados, mas eu acho que essa proposta da previdência está errada sobrecarregando o povo, deveria acabar inclusive, o valor retido (20%), deveria ir para uma conta pessoal e esta conta deveria ter um juro próximo a taxa SELIC, diferente ao que ocorre hoje com FGTS, que tem uma taxa super baixam apesar de ter pouca liquidez. As estatais e as concessões deveriam entrar em um fundo para pagar as atuais aposentadorias. No caso dos militares e outras categorias o empregador, seja privado ou publico, deveria pagar uma porcentagem maior que os 10% para que estes possam se aposentar um pouco antes

  4. Adriana Vidigal

    Qualquer deputado e senador que votar a favor dessa reforma maldita poderá dar por encerrada sua carreira política. Não passarão!!! O povo está de olho em um por um!

  5. Angela Loira

    Analista do Brasil vamos fazer uma reforma política,vamos acabar com foro privilegiados,vamos acaba com leis que só favoreceram políticos,vamos reforma o código penal,vamos prender todos os políticos que derrubaram o Pais em uma corrupção jamais vista…Então analista em vez de querer não mostrar o óbvio seria melhor que se fudessemm

  6. Renato Antonio Dalla Costa

    O Brasil já sabe que não existe ‘Déficit da Previdência’ uma vez que ela faz parte do ‘Orçamento da Seguridade Social’. Expliquem porque vocês continuam com essa mentira vendida pelo governo. Expliquem porque são os mais pobres que devem pagar pelos roubos da corrupção e pelos ‘empréstimos amigos’ que possivelmente não serão pagos. Expliquem se para sustentar essas mentiras vocês venderam suas consciências. #NãoReformaDaPrevidênciaNão