Papademos ameaça renunciar se ajustes não forem aprovados

Primeiro-ministro grego avisou que vai deixar o cargo se os partidos da coalizão não apoiarem as medidas exigidas por UE e FMI

Atenas – O primeiro-ministro da Grécia e ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Lucas Papademos, ameaçou renunciar se os três partidos do governo (social-democratas, conservadores e extrema-direita) não aprovarem os ajustes exigidos pela ‘troika’, informou a imprensa grega.

Os acordos sobre a diminuição de 100 bilhões da dívida em mãos privadas e sobre o novo crédito da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) já estão praticamente fechados após duras negociações, no entanto, falta que o primeiro-ministro confirme o voto dos partidos que lhe apoiam.

Para isso, Papademos realizará no sábado uma reunião com Giorgos Papandreou, ex-primeiro-ministro e líder do Movimento Socialista (Pasok), com Antonis Samaras, líder da conservadora Nova Democracia (ND), e Yorgos Karatzaferis, líder da ultradireitista Alerta Popular Ortodoxa (LAOS), já que alguns deputados destes partidos mostraram sua rejeição às impopulares reformas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

‘Eu me oponho frontalmente. Não vou votar se tiver uma redução de pensões e salários, que já foram degradados completamente’, criticou nesta sexta-feira um deputado da ND em declarações à rádio ‘NET’, se referindo à exigência da troika de eliminar os pagamentos extras e diminuir o salário mínimo no setor privado.

O empresariado e os sindicatos majoritários, que há semanas negociam a redução dos custos trabalhistas não salariais e deram passos em direção a um acordo de congelamento salarial e rebaixamento das contribuições à Seguridade Social, enviaram uma carta ao primeiro-ministro na qual se opõem às medidas da troika.

Neste sentido, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, realiza nesta sexta-feira uma reunião de urgência com a troika para tentar acertar posições.


O segundo plano de resgate grego, de pelo menos 130 bilhões de euros, depende da aplicação das medidas exigidas pelos credores internacionais.

Por outro lado, o primeiro-ministro reforçou suas ameaças de renúncia, segundo informaram o jornal ‘Kathimerini’ e a rede de televisão ‘Skaï’.

Perguntado sobre esta questão, o porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, durante uma entrevista à emissora ‘Real FM’, manifestou seu desejo de que o governo alcance um acordo.

‘Acho que os líderes políticos atuarão junto ao primeiro-ministro e acordarão como proceder’, afirmou Kapsis.

O encontro do Eurogrupo da próxima segunda-feira, dedicado exclusivamente à situação na Grécia, também poderia ficar ‘no ar’ se a coalizão governante não aprovar os acordos, informou o portal de notícias ‘In.gr’.