O vento soprou forte para eólica no Brasil em 2016

País adicionou mais 2 GW de energia eólica em 81 novos parques, mas vigor do setor pode estar em risco

São Paulo – No ano passado, o Brasil adicionou mais 2 gigawatts (GW) de energia eólica em 81 novos parques, fazendo com que o setor atingisse 10,75 GW de capacidade acumulada. Ao todo, o país já conta com 430 parques eólicos, representando 7% da matriz elétrica nacional.

Os dados constam no relatório anual sobre o setor divulgado nesta semana pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Os bons ventos, associados a  investimentos vultosos que somaram  de US$ 5,4 bilhões, refletiram na geração de mais de 30 mil postos de trabalho em 2016.

Em termos de geração, a energia eólica cresceu 55% em relação a 2015, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), gerando o equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês.

No mercado internacional, o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica, de acordo com dados do GWEC (Global Wind Energy Council).

Todo o vigor que os números do mercado em 2016 refletem, porém, pode estar com os dias contados pela falta de previsibilidade do governo brasileiro.

Segundo estimativa da ABEEólica, o setor eólico deve terminar o ano de 2017 com cerca de 13 GW. “Será um bom resultado, mas sempre é bom lembrar que ele é consequência de leilões realizados em anos anteriores”, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

“O cancelamento do Leilão de Reserva no final do ano foi uma notícia muito negativa para a indústria e tirou o setor de sua trajetória positiva: 2016 foi o primeiro ano, desde que as eólicas começaram a participar de leilões, em que não houve contratação de energia dessa fonte”, analisa.

Comentários

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  1. Sergio Caruso

    Olá Vanessa Barbosa, vc termina o artigo com uma noticia, de que: ““O cancelamento do Leilão de Reserva no final do ano foi uma notícia muito negativa para a indústria e tirou o setor de sua trajetória positiva: 2016 foi o primeiro ano, desde que as eólicas começaram a participar de leilões, em que não houve contratação de energia dessa fonte”, mas não nos diz exatamente o que significa isso. As empresas produziram energia e não conseguiram vender? Tem investimentos sendo cortados? Qdo que isso irá refletir no setor? Enfim, por favor nos dê mais informação. Grato. Leitor de Exame

  2. Renan Pereira

    Os empreendimentos são contratados anos antes de entrar em operação, assim, se não há leilão não há novos investimentos no setor.
    O leilão foi cancelado pois no momento as distribuidoras estão com sobrecontratacao de energia e a atividade econômica do país está baixa, caso o leilão fosse feito iria onerar mais ainda a conta de energia.