O PIB que murcha: projeções desabaram desde o início do ano

Expectativa para crescimento no ano caiu pela metade desde janeiro e caminha para taxa entre 1% e 1,5%; veja o que esperam Mantega, BC, FMI e Banco Mundial

São Paulo – Em dezembro do ano passado, o ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu que o crescimento em 2014 poderia até não chegar nos 4% previstos no Orçamento, mas disse que pelo menos o novo ano seria melhor do que o anterior. 

Naquela época, as instituições financeiras ainda davam ao ministro o benefício da dúvida, com expectativa de um número próximo ao de 2013, quando o PIB se expandiu 2,3%.

Com o tempo, porém, as expectativas foram se corroendo e a previsão do ministro acabou se provando, como de costume, excessivamente otimista.

No ano passado, foi a mesma história: o crescimento de 3,2% previsto pelo primeiro Boletim Focus do ano acabou sendo revisado constantemente para baixo.

A média de expansão do PIB brasileiro nos últimos anos está em 2%, abaixo da registrada nos anos 80 e 90 e do cenário na maior parte da América Latina.

Cenário

Nos últimos meses, pesaram no clima o rebaixamento da nota do país pela Standard & Poor’s, a fraqueza da situação fiscal e a inflação perto do teto da meta.

O Indicador de Clima Econômico da FGV não era tão baixo desde 1999 e a confiança do consumidor é a pior em uma década.

O governo tentou estancar a sangria com medidas como desoneração permanente da folha de pagamentos de setores, incentivos ao mercado de capitais, pacote de bondades para a indústria e prorrogação do IPI mais baixo para carros e móveis.

Até agora, sem sucesso. Veja qual foi a queda em cada uma das projeções:

Boletim Focus

Previsão anterior: 2,2% (07/01)
Previsão atual:
1,1% (30/06)

O Banco Central divulga todas as segundas-feiras um relatório que reúne as projeções de cerca de 100 analistas financeiros para dólar, inflação, superávit e outros indicadores.

A última edição apontou a quinta queda consecutiva da expectativa do PIB, que está agora exatamente na metade da taxa que era esperada quando o ano começou.

Guido Mantega

Previsão anterior: mais do que em 2013 (18/12/2013)
Previsão atual:
2,3% (28/04)

O ministro Guido Mantega é conhecido por suas projeções otimistas. No início de junho, ele evitou confirmar se mantém a previsão feita em abril de crescimento de 2,3% este ano.

Banco Mundial

Previsão anterior: 2,4% (14/01)
Previsão atual:
1,5% (10/06)

De acordo com o Banco Mundial, a desaceleração é resultado de estrangulamentos na infraestrutura, baixa confiança dos empresários, demanda doméstica fraca, crédito mais difícil e a deterioração de indicadores como contas externas e fiscais, além da pressão inflacionária.

FMI

Previsão anterior: 2,3% (21/01)
Previsão atual:
1,8% (08/04)

Para o Fundo Monetário Internacional, a piora nas perspectivas é causada por restrições na oferta de infraestrutura e fraco crescimento no investimento privado, reflexo da falta de competitividade e da baixa confiança empresarial.

Banco Central

Previsão anterior: 2% (27/03)
Previsão atual:
1,6% (26/06)