O maior problema de Macri: Argentina divulga inflação

Índice de preços já cresceu mais de 50% nos últimos 12 meses e será uma das maiores barreiras à reeleição do presidente Mauricio Macri

Um dia depois de oficializar os candidatos das eleições presidenciais deste ano, a Argentina divulga nesta quinta-feira, 13, os dados de sua inflação do mês de maio. Em meio aos vários problemas econômicos argentinos no momento, a inflação é talvez o maior deles: o índice de abril marcou alta de quase 56% nos últimos 12 meses, e mais de 15% no acumulado dos primeiros quatro meses do ano.

Para o presidente argentino, Mauricio Macri, que vai tentar sua reeleição nas eleições de 27 de outubro, será difícil chegar bem à corrida eleitoral com os números da economia indo de mal a pior. A expectativa para maio é que a inflação suba 3% na comparação com abril, e a previsão é fechar o ano com inflação de 40,3% — menor que os mais de 47% em 2018, mas ainda longe do suficiente. Além disso, o Banco Mundial projeta queda de 1,2% no PIB argentino para 2019.

Eleito sob uma bandeira liberal e prometendo reformas que melhorassem a economia, Macri vem sendo alvo de frequentes greves-gerais e protestos. Neste cenário, o governo vê de perto a ameaça da ex-presidente e maior adversária, Cristina Kirchner (2007-15), que lidera parte das pesquisas e surpreendeu ao anunciar no mês passado que concorreria apenas como vice. A cabeça de chapa passou a ser de Alberto Fernández, visto como mais moderado. A chapa também ganhou nesta semana o apoio de Sergio Massa, ex-apoiador que havia rompido com o governo Kirchner no passado.

A corrida eleitoral está cheia de surpresas. Os candidatos tinham até o fim da terça-feira, 11, para oficializarem suas coligações. E Macri anunciou, de última hora, o opositor e líder peronista no Senado, Miguel Pichetto, como vice em sua chapa, aumentando as chances de o presidente atrair novos eleitores. A novidade animou os mercados, com os bônus da dívida e empresas argentinas subindo no exterior e a bolsa de Buenos Aires com alta de 5% na quarta-feira, 12.

A nova chapa de Macri, contudo, deve praticamente anular qualquer chance de terceira via, ainda que o ex-ministro da Economia e responsável pela recuperação econômica do país no início dos anos 2000, Roberto Lavagna, também tenha se candidatado e dispute votos do centro e da direita— em uma espécie de “chama o Meirelles” argentino.

O ministro de Produção e Trabalho de Macri, Dante Sica, disse nesta semana que “serão necessários sete ou oito anos de consistência” para a Argentina derrotar a inflação. Cada um à sua maneira, os candidatos querem mostrar que serão capazes de fazê-lo.