O homem de Davos na Montanha Mágica: começa a reunião da elite global

3 mil participantes de 115 países estarão por cerca de uma semana reunidos na cidade mais alta da Europa para o 48º Fórum Econômico Mundial

São Paulo – A expressão “homem de Davos” foi cunhada por Samuel Huntington, o cientista político americano falecido que criou a teoria do “choque de civilizações”.

Eis a definição: “ele tem pouca necessidade de lealdade nacional e vê as fronteiras nacionais como obstáculos que felizmente estão sumindo e os governos nacionais como resíduos do passado cuja única função útil é facilitar as operações da elite global”.

A descrição não evoca Jair Bolsonaro, mas ele deve ser a grande estrela da 48ª edição do Fórum Econômico Mundial, cujos painéis acontecem entre terça-feira (22) e sexta-feira (25) em Davos, na Suíça.

O presidente já está na cidade desde ontem e vai abrir oficialmente o encontro às 12:30 (horário de Brasília) com um discurso “curto e direto” que foi “corrigido por vários ministros”.

A comitiva de Bolsonaro inclui também os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A cidade e o evento

Davos é a cidade mais alta da Europa, com 1.560 metros de altitude, e tem cerca de 11 mil habitantes.

Hoje famosa por sua estação de esqui, Davos serviu como cenário para “A Montanha Mágica”, o livro clássico publicado em 1924 pelo alemão Thomas Mann, que venceria o Nobel de Literatura em 1929.

O encontro do Fórum, fundado por Klaus Schwab, acontece desde 1971 na cidade e o tema deste ano é “Globalização 4.0: Moldando uma Arquitetura Global na Era da Quarta Revolução Industrial”.

Apesar do foco em questões econômicas e sociais, a pauta do encontro está em expansão constante. Em 2015, o tema de direitos LGBT entrou na programação oficial; em 2019, será a vez da saúde mental.

Os participantes

De acordo com uma lista preliminar, o Fórum de 2019 contará com 3 mil participantes de 115 economias, incluindo 30 chefes de Estado como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente japonês, Shinzo Abe.

A região mais representada é a Europa Ocidental, com 1.159 participantes, seguida da América do Norte, com 860 membros. A África terá 118 pessoas no evento e a América Latina, 112.

34 deles são brasileiros. Além da comitiva oficial de Bolsonaro, o evento também contará com o novo governador de São Paulo, João Doria, e figuras como Andre Esteves, fundador do banco BTG Pactual.

Luciano Huck estará em um painel sobre a reconstrução da confiança nas instituições na América Latina e Ilona Szabo, do Instituto Igarapé, estará em um painel com Sérgio Moro sobre crime globalizado.

As mulheres são apenas 22% do total, e mesmo isso é um recorde, ainda que pouco acima dos 21% registrados no ano anterior.

O evento que já contou com celebridades do porte de Bono, Angelina Jolie e Leonardo DiCaprio em anos anteriores terá que se contentar neste ano com Will.i.am, do Black Eyes Peas, e o Príncipe William.

A idade média dos participantes é de 54 anos para os homens e 49 para as mulheres. O mais velho é o apresentador de programas da natureza David Attenborough, de 92 anos e um dos premiados do ano. O participante mais novo é o fotógrafo sul-africano Skye Meaker, de apenas 16 anos.