Nome de presunto causa bate-boca entre EUA e Europa

Queijo roquefort, presunto floresta negra e outros alimentos associados a regiões europeias viraram polêmica na negociação de um novo acordo comercial

São Paulo – O presunto floresta negra, pouco conhecido no Brasil, tem este nome por um motivo.

Por mais de dois séculos, ele tem sido produzido através de um longo e complexo método nos arredores de uma floresta no sudoeste da Alemanha. 

Os produtores da região têm um museu, uma associação própria e a exclusividade para usar o nome no mercado europeu garantida por lei .

Nos Estados Unidos, é outra história, e o nome “floresta negra” passou a ser usado para vários tipos de presunto defumado encontrados de supermercados à cozinha do Subway.

Agora, a questão chegou aos mais altos níveis da diplomacia. A propriedade intelectual é um dos temas chave da negociação em andamento entre Estados Unidos, Europa e outros países para o TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, na sigla em inglês).

A União Europeia aproveitou a oportunidade para insistir em uma demanda antiga: a de que sua proteção para milhares de marcas de alimentos associadas a regiões fosse respeitada também nos Estados Unidos.

Queijo feta e roquefort, presunto de parma e champanhe, por exemplo, entrariam na lista.

Para Roger Waite, porta-voz da União Europeia para Agricultura e Desenvolvimento Rural, outros produtores precisam parar de querer dar “um passeio grátis na boa reputação desenvolvida pelos produtores do original.”

Os americanos discordam. Para eles, os mercados desses produtos se desenvolveram de forma orgânica e totalmente separada da sua origem, e não faz sentido restringir o uso dos nomes a essa altura do campeonato.

“Ninguém de Bolonha, na Itália, nunca fez qualquer coisa para promover a bolonha (um tipo de salsicha) nos Estados Unidos”, diz Jaime Castaneda, diretor da CCFN (Consórcio para Nomes de Comida Comuns), uma organização de lobby do assunto.

Em abril, um grupo de 44 senadores americanos republicanos e democratas enviou uma carta aberta pedindo para a administração Obama resistir às investidas europeias – e por enquanto, a questão está longe de ser resolvida.