Nigéria supera África do Sul como maior economia africana

Nova forma de cálculo do PIB, divulgada ontem, levou em conta mais setores e inflou o tamanho da economia nigeriana em 89%

São Paulo – A Nigéria ultrapassou a África do Sul e se tornou a maior economia do continente africano.

A mudança de posições é resultado de uma revisão na medição do PIB, divulgada ontem pelo Escritório Nacional de Estatísticas nigeriano.

Pelo novo cálculo, o PIB da Nigéria foi de US$ 509 bilhões em 2013, 89% acima do número com base na metodologia anterior e superior aos US$ 370 bilhões da economia da África do Sul. 

Metodologia

Algum aumento era esperado, mas não dessa magnitude. A maior parte dos países revisa sua metodologia de cálculo do PIB a cada 5 anos, mas a Nigéria não fazia isso desde 1990.

Nestes 24 anos, o país passou a ter, por exemplo, mais de 100 milhões de usuários de telefonia celular.

Foi por este motivo que o novo cálculo aumentou de 33 para 46 o número de indústrias monitoradas e revisou o peso de alguns setores, como o financeiro, de entretenimento, comunicações e transporte aéreo. 

A importância da economia informal de serviços é enorme na Nigéria e também era praticamente ignorada pelas estatísticas anteriores. 

Economias africanas

A perda do primeiro lugar é um golpe significativo na auto-estima da África do Sul, mas deve ser interpretada com cuidado.

A população nigeriana é de 170 milhões de pessoas, mais que o triplo da sul-africana, e seu PIB per capita continua sendo apenas um terço dos seus vizinhos do Sul, que ainda tem um ambiente de negócios e uma infraestrutura infinitamente mais avançada.

A favor da Nigéria contam as perspectivas demográficas favoráveis, que a fizeram ser incluída entre os MINTs, quarteto de países promissores de acordo com JIm O’Neill, criador do termo BRICS.

No entanto, seu desenvolvimento baseado em indústrias com capital intensivo – como a do petróleo – significa que o país é um curioso caso de crescimento vertiginoso que anda lado a lado com aumento da pobreza e do desemprego