Negociação comercial UE-Mercosul trava por setor automobilístico

Acesso de veículos europeus ao mercado sul-americano é um dos motivos de discussão entre negociadores de acordo, segundo porta-voz da Comissão Europeia

As negociações para se alcançar um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul estagnaram nesta semana em Bruxelas, sem que conseguisse aproximar as posições no setor automobilístico, informaram várias fontes nesta sexta-feira (27), acrescentando que as negociações continuam.

“Os negociadores abordaram de novo assuntos nos quais ainda precisam encontrar soluções”, como o acesso ao mercado do Mercosul de veículos europeus ou produtos lácteos, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz da Comissão Europeia, Daniel Rosario.

Segundo o porta-voz, a União Europeia está disposta a encontrar soluções “viáveis” para ambas as partes, mas para isso precisaria primeiro de um “movimentos” do Mercosul nos pontos de divergência.

Entre terça e quinta-feira, as negociações se concentraram sobretudo no setor automobilístico, mas “não chegaram a um acordo” apesar disto “estar próximo”, disse à AFP uma fonte próxima às negociações. “Se chegou a um ponto no qual se o Brasil nem a Comissão se moverem, não há avanços”, acrescentou.

“As reuniões foram úteis para se conhecer os limites da outra parte”, explicou à AFP uma fonte do Mercosul. Segundo essa fonte, na quinta-feira se chegou a um momento em que não se vislumbrava uma solução possível para aproximar as posições acerca do tema do setor automobilístico.

Os europeus estão interessados em um maior acesso a mercado para suas exportações de automóveis no Mercosul – bloco formado por Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil -, enquanto que esses países querem criar cadeias de produção integradas com a UE.

Neste momento, pesam na balança da negociação desde as regras de origem até as cotas e os períodos de transição de aplicação das tarifas.

Durante uma reunião em janeiro, os europeus expressaram sua disposição para melhorar sua oferta em relação às importações de carne bovina do Mercosul – um setor sensível na UE, mas prioritário para o bloco sul-americano -, mas tendo como contrapartida uma abertura em outras áreas, como o setor automobilístico.

Agora as discussões voltam para as capitais a fim de que se conclua o acordo, que começou a ser negociado em 1999 e foram significativamente impulsionadas em 2017 com a chegada do presidente americano, Donald Trump, à Casa Branca, defendo políticas protecionistas.

De acordo com as fontes consultadas, embora não haja uma data prevista para uma nova reunião, ambas as partes concordaram em continuar em contato permanente.

“Vamos fazer consultas, cada um à sua parte”, garantiu a fonte do Mercosul, que classificou todas as negociações nesta de “úteis”.