Mudança na poupança é necessária, diz Mendonça de Barros

Governo terá que tomar a medida para evitar movimentos especulativos de migração para a caderneta, que teriam efeitos complexos na economia

São Paulo – A mudança nas regras de para cálculo do rendimento da caderneta de poupança, que pode ser anunciadas amanhã pelo governo, segundo fontes próximas ao Planalto, é necessária diante da redução na taxa dos juros no Brasil.

Esta é a avaliação do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES, ex-ministro das Comunicações e sócio fundador e estrategista da Quest Investimentos.

“Vai ter que ser feito. A poupança tem a vantagem fiscal, que é muito forte para o grande poupador”, avalia o economista, em entrevista exclusiva a EXAME.com, que vai ao ar nesta quinta-feira.

“A mudança é simples. O medo é que a caderneta é o grande instrumento de poupança das pessoas de menos posse. Mas é só colocar um teto para o benefício fiscal. Isso equaciona o problema”, diz Mendonça de Barros.

Diante das recentes quedas na taxa Selic, que já está em 9% e ainda pode cair para 8,5% até o final do ano, segundo projeções de analistas, a poupança – isenta de taxa de administração e imposto de renda – tornou-se um investimento potencialmente mais interessante que os papéis pós-fixados e fundos DI. 

Ainda não está claro quais seriam as medidas tomadas pelo governo para endereçar a questão. Entre as possibilidades está atrelar o rendimento da poupança à variação da taxa básica de juros ou passar a cobrar imposto de renda sobre a aplicação, segundo a Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade. 

“É preciso fazer a mudança”, enfatizou o economista. “Se não fizer, corremos o risco de ter movimentos especulativos de saída do sistema bancário para a poupança que podem ter efeitos bastante complexos na economia”, conclui.