Moody’s prevê estabilidade dos bancos latino-americanos

Agência de classificação disse que perspectiva dos sistemas bancários é "estável" apesar de uma esperada deterioração nas condições de crédito

Nova York – A agência de classificação de risco de crédito Moody’s Investors Service disse nesta quinta-feira que a perspectiva dos sistemas bancários da América Latina é “estável” apesar de uma esperada deterioração nas condições de crédito em 2014.

Essa é a conclusão de um relatório publicado hoje pelo serviço de estudos de pesquisa da Moody’s, sob o título “Perspectivas 2014 – Bancos de América Latina”, assinado pela diretora-geral do grupo, Maria Celina Vansetti-Hutchins.

“Os fundamentos financeiros dos bancos devem se provar resilientes a uma esperada deterioração nas condições de crédito no horizonte”, assegurou.

A diretora acrescentou que a “sólida rentabilidade” e os níveis de capitalização durante o final de 2013 assegurarão a estabilidade das qualificações dos bancos da região por todo o ano de 2014.

Inclusive diante de um cenário adverso, a Moody’s prevê que os bancos da região serão capazes de absorver perdas e cumprir as exigências de capital regulatório, embora se espere uma “deterioração cíclica” das condições de crédito na região em 2014.

Essa piora, ela explica, será impulsionada por um crescimento econômico “constantemente inferior à tendência”, pela alta das taxas de juros reais e, consequentemente, um aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos.

De acordo com a Moody’s o Brasil se recuperou apenas de forma modesta em relação à acentuada deterioração de 2012, enquanto, no México, a demanda externa inferior ao esperado afetou as exportações e voltou a evidenciar a vulnerabilidade do México às condições econômicas dos EUA.

No resto da região, a agência prevê que o crescimento econômico se manterá “amplamente estável” e próximo à tendência de crescimento de 2014. Contudo, os riscos em baixa seguem dominando a perspectiva de crédito traçada pela Moody’s.

Especificamente sobre 2014, os bancos da América Latina terão de enfrentar o desafio de diminuir o impacto sobre a rentabilidade do aumento dos custos de financiamento e de uma desaceleração da demanda, ressalta a agência de qualificação.

Um pouco crescimento econômico junto com o aumento das taxas de juros são fatores que provavelmente provocarão um aumento da inadimplência dos empréstimos e dos custos creditícios associados, destacou a Moody’s.

Por tudo isso, a agência de qualificação assegurou em seu relatório que os bancos latino-americanos deverão conseguir uma maior eficiência para manter retornos relativamente altos, em comparação com seus pares globais.