Modelo do pré-sal é armadilha para Petrobras, diz KPMG

O líder da KPMG, Manuel Fernandes, criticou as regras do modelo de partilha

Rio – As regras do modelo de partilha, que estabelecem a Petrobras como operadora única e com ao menos 30% de participação nos consórcios das áreas do pré-sal, representam uma “armadilha financeira” para a estatal.

A avaliação é do líder da KPMG, Manuel Fernandes, que também é presidente do Comitê de Energia da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham), que realiza nesta sexta-feira, 25, a conferência “Libra: repercussões para o mercado e o que esperar do novo modelo de partilha”.

“Ela tem muita competência e capacidade, mas o fato de operar 30% no mínimo gera uma dificuldade de previsibilidade no mercado. Quando você vê o tamanho da conta que precisa ser investida, essas coisas são contraditórias”, avalia Fernandes. “É uma armadilha financeira para a Petrobras”, afirmou.

As críticas partiram também do presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), Eloi Rodriguez. Segundo ele, com o atual modelo, os leilões não geram interesse para investidores e por isso só contarão com uma oferta, como aconteceu com a área de Libra.

Leiloada em novembro, a primeira área do pré-sal recebeu apenas a oferta do consórcio formado por Petrobras, Shell, Total e as chinesas CNPC e CNOOC. “Só vai ter oferta de quem a Petrobras escolher. A operadora é única, não tem escolha”, avaliou.

O presidente da PPSA, estatal que fiscaliza a exploração nas áreas do pré-sal, Oswaldo Pedrosa, rebateu as críticas e afirmou que o tema é “página virada”.

“A lei foi discutida no Congresso. Agora, isso tem que ser levado para frente. Novos leilões vão acontecer, e não devem ser como Libra, que é sem igual no mundo todo. A atratividade dos leilões é imensa”, garantiu.