Mercado muda e agora prevê alta do juro

61 das 63 casas previam estabilidade na sondagem anterior, e apenas 26 mantiveram a projeção, o que significa que pelo menos 35 migraram para a aposta de elevação

São Paulo – As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na sexta-feira, 12, reduziram sensivelmente as apostas do mercado financeiro na manutenção da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira, 17, decide sobre o futuro da taxa básica, atualmente em 7,25% ao ano.

Diante das várias mudanças de última hora na expectativa dos agentes para o encontro, o AE Projeções consultou novamente as instituições que esperavam estabilidade do juro na pesquisa publicada na quinta-feira, 11. O resultado foi uma verdadeira debandada para a corrente dos que preveem alta da Selic nesta semana.

O serviço especializado da Agência Estado ouviu 61 das 63 casas que previam estabilidade na sondagem anterior, e apenas 26 mantiveram a projeção, o que significa que pelo menos 35 migraram para a aposta de elevação. Apenas a Concórdia Corretora e a Squanto Invest não participaram do levantamento desta segunda-feira, 15.

Do grupo de 36 casas que agora estimam aperto monetário já este mês, 19 acreditam em alta de 0,25 ponto porcentual para 7,5%, e 16, em elevação de 0,5 ponto, para 7,75%.

Nenhum dos indicadores macroeconômicos relevantes conhecidos foram apontados como motivação para as alterações, mas a leitura da fala de Tombini, reforçada pela interpretação das palavras do ministro Mantega, é que deu a senha para levar parte do mercado à postura mais conservadora.

O presidente do Banco Central, na 25.ª Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul, no Rio, declarou que “não há nem haverá tolerância com a inflação”. “Estamos neste momento monitorando atentamente todos os indicadores e, obviamente, no futuro, vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária”, afirmou Tombini, durante intervalo do evento.

Ainda na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S.Paulo publicada no domingo, 14, que, se for preciso elevar os juros, “não é necessário um tiro de canhão, pode ser de metralhadora”. Ele frisou que isso ocorrerá apenas “se precisar”.