Membros da UE disputam agências que deixarão Londres após Brexit

Agência Europeia de Medicamentos e a Autoridade Bancária Europeia terão de embalar suas coisas com suas centenas de funcionários e suas famílias

Os europeus devem decidir nesta segunda-feira o destino das agências da UE que deverão deixar Londres por causa do Brexit, durante uma votação imprevisível em Bruxelas.

Este é um dos efeitos colaterais do divórcio com o Reino Unido: a Agência Europeia de Medicamentos e a Autoridade Bancária Europeia, localizadas no distrito comercial de Canary Wharf, terão de embalar suas coisas com suas centenas de funcionários e suas famílias.

Entre os 27 Estados-membros, os candidatos lutam para recebê-las e aproveitar os benefícios econômicos associados, correndo o risco de destruir a unidade que a UE quer exibir desde que os britânicos anunciaram sua partida, prevista para 2019.

Atrás das cortinas, “há barganhas inacreditáveis”, de acordo com uma fonte diplomática. Vários governos tentam obter o apoio de outros países na votação que acontece na tarde desta segunda-feira, à margem de uma reunião ministerial.

A casa de apostas Ladbrokes apontava como favoritos Bratislava e Milão para hospedar a Agência de Medicamentos (EMA) e Frankfurt e Viena para a Agência Bancária (EBA).

Mas o voto, secreto, dificulta as previsões.

27 candidatos

Os diplomatas têm comparado a votação à competição de música Eurovision, cujo voto final se tornou um ritual anual com resultados às vezes surpreendentes.

No total, 19 cidades foram propostas para hospedar a Agência de Medicamentos e seus quase 900 funcionários, responsáveis ​​pela avaliação e supervisão de medicamentos. Amsterdã, Bonn, Barcelona, ​​Bratislava, Helsink, Milão e Lille estão entre os competidores.

A lista é mais curta para a Agência Bancária, conhecida pelo estresse provocado nos bancos europeus. Oito candidatos, incluindo Frankfurt, Paris e Luxemburgo, candidataram-se para hospedá-la com cerca de 170 funcionários.

Cidades como Dublin, Bruxelas, Varsóvia e Viena são candidatas para ambas as agências.

A Comissão Europeia realizou uma avaliação das candidaturas no final de setembro, com base em critérios como acessibilidade dos escritórios ou perspectivas de emprego para os cônjuges.

Mas não formulou preferências, e os Estados-membros serão livres para votar como desejarem.

“Os critérios de escolha não serão apenas relacionados às qualidades intrínsecas de uma candidatura particular”, admitiu a ministra francesa dos Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau, reconhecendo a dimensão política do exercício.

Esta perspectiva preocupa o pessoal das agências em questão. A dos medicamentos advertiu em um relatório que uma má escolha poderia resultar em “uma taxa de retenção de funcionários bem abaixo de 30%”, o que ameaçaria suas operações.

Nenhuma cidade é citada, mas de acordo com vazamentos na imprensa, Bratislava, Varsóvia, Bucareste e Sofia estariam entre as cidades menos populares.

Por sua vez, os Estados-membros realizam campanhas para exaltar os méritos de suas candidatas.

O governo irlandês disse que está disposto a contribuir com 78 milhões de euros por 10 anos para os custos das instalações. Em Viena, o município vai subsidiar um berçário, enquanto em Milão os funcionários também teriam acesso a uma academia.

Reagindo aos vazamentos na imprensa, o governo italiano negou ter proposto aumentar seus contingentes militares nos países bálticos como moeda de barganha para favorecer a candidatura de Milão.

A França rejeitou as especulações sobre uma possível renúncia à sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo em troca da recepção da Agência de Medicamentos.

A votação é complexa: na primeira rodada, cada país terá seis pontos para dar para cada agência. Três para sua primeira escolha, dois para sua segunda escolha e um para sua terceira opção.

Serão possíveis até três rodadas, cada uma com regras diferentes e intervalos programados, durante os quais os ministros poderão consultar sua capital.

O número de pontos obtidos pelos vários candidatos não será publicado de antemão.